Em Portugal a riqueza das áreas, terrestres ou marinhas, que foram adquirindo o estatuto de protegidas e a sua diversidade devem-se à ocupação humana que as foi transformando ao longo de séculos.
Ao longo dos anos as ações de estudo, conservação e divulgação fizeram emergir no país uma série de áreas ambientalmente interessantes, na maior parte dos casos, à revelia das comunidades humanas locais o que gerou conflitos e relações difíceis por falha do adequado enquadramento das populações nesses processos
Existem, no entanto, no nosso país experiências interessantes de esforços para assegurar este envolvimento, mas nem sempre é fácil apesar de estarem em causa oportunidades de futuro e de sustentabilidade para essas áreas de grande sensibilidade ambiental.
Nos tempos que correm estas áreas tem vindo também a assumir uma potencial dimensão estratégica, nomeadamente no domínio do turismo, que as coloca num papel de relevância na definição das políticas territoriais, nomeadamente à escala local.
Nesta linha aparecem, no panorama do país, alguns casos de conflitos de interesse que têm de ser ultrapassados num diálogo mais próximo com as populações e agentes de desenvolvimento local que não se conformam por verem os seus direitos limitados sem daí vislumbrarem vantagens para a sua qualidade de vida e para o seu desenvolvimento
A ideia chave é compreender o papel da componente humana e reflectir sobre o modo de a integrar na gestão dos recursos locais. Terá de passar pela criação de plataformas de interação que permitam um diálogo seguro e construtivo entre os actores chave que intervêm nestas áreas e na sua envolvente, reconhecendo a diversidade de perspectivas e construindo colectivamente soluções conjuntas.
Estas parcelas do nosso território constituem autênticas “jóias da coroa” e por isso oferecem uma série de janelas de oportunidade, que não se podem desperdiçar.
Uma abordagem mais comprometida com todos os intervenientes desses territórios ajudará a ultrapassar alguns erros do passado e servirá para trazer as comunidades locais para o centro do desafio da sustentabilidade de forma construtiva e responsável.
Em tempo de eleição das 7 Maravilhas Aldeias esta é uma reflexão alinhada com o foco que é dirigido a esses locais singulares.
Assim saibamos passar do simbolismo para as ações que conduzam a um desenvolvimento sustentável dessa rede de territórios diferenciados e de excelência patrimonial!
