Talude junto à ponte sobre o Tejo, em Abrantes. Foto: mediotejo.net

“Infelizmente temos mais de 15 milhões de euros de prejuízo e seguramente esse valor irá aumentar”, disse hoje o presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, indicando que apenas foram atribuídos cerca de 75 mil euros a 25 famílias para habitação própria, sem novos apoios entretanto.

Segundo o autarca, continuam por chegar verbas para a recuperação de equipamentos públicos, apesar dos danos no Médio Tejo ultrapassarem os 100 milhões de euros, tendo alertado para a necessidade “urgente” de financiamento para autarquias, associações e instituições afetadas.

“Do ponto de vista concreto ainda não chegou qualquer apoio financeiro do Governo para o domínio público capaz de alavancar esta reabilitação”, afirmou.

O autarca referiu ainda que continuam a ser detetadas fragilidades em várias infraestruturas, devido à saturação dos solos provocada pelas chuvas intensas dos últimos meses, associadas à tempestade e às cheias.

Entre os principais problemas persistentes estão danos em estradas, infraestruturas elétricas e património, com destaque para o castelo de Abrantes, onde o acesso ao jardim da fortaleza permanece encerrado devido a derrocadas.

Câmara de Abrantes pede financiamento urgente para reabilitação de equipamentos públicos. Foto: CIM

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CM ABRANTES:

Em causa no castelo de Abrantes está uma estrutura de valor nacional, cuja recuperação exige um investimento na ordem das centenas de milhares de euros. “Importa intervir para consolidar o que está instável e devolver condições de segurança”, disse Valamatos.

Derrocadas em Abrantes fecham jardim do castelo e cortam passeio junto à ponte. Foto: CMA

Outra das preocupações centra-se na Estrada Nacional 2 (EN2), no troço do Espinhaço de Cão, onde existe risco de derrocada de grandes dimensões após as chuvas intensas, numa via estruturante para a cidade e para a região.

A circulação mantém-se alternada, sob monitorização das Infraestruturas de Portugal, aguardando um projeto de estabilização do talude que permita repor a normalidade.

Apesar de alguns trabalhos de recuperação já iniciados com recursos próprios, o município insiste na necessidade de apoios estatais para fazer face à dimensão dos prejuízos e garantir a reabilitação do território afetado pelas intempéries.

Presidente da Câmara de Abrantes alerta para risco de derrocada de grandes dimensões no Espinhaço de Cão. Foto: mediotejo,net

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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