“Nós herdámos um processo, mais do que desertificação, de perda de massa crítica a uma velocidade alucinante. O concelho de Alcanena, entre os Censos de 2011 e 2021, perdeu 10% da sua população. Nós temos freguesias como a de Monsanto que perdeu 20% da sua população em 10 anos. Portanto, isto é uma sangria de gente, de massa crítica, de capacidade de fazer e de transformar os territórios que nenhum território aguenta”, afirma Rui Anastácio.
Trata-se de “um caminho para o abismo”, segundo o autarca, que o executivo procurar agora travar e posteriormente “encetar o processo de recuperação. Isso já está a acontecer, este ano letivo já temos mais nove turmas no nosso sistema de ensino”.
No dia 13 de dezembro, a autarquia procedeu à assinatura da consignação da empreitada da Creche de Bugalhos, no valor de 646.137,53€, o que vai permitir dar seguimento ao “Plano de Crescimento das vagas de Creche no concelho de Alcanena”, passando de 150 vagas (2023) para 325 vagas (2026).
“Mais do que vamos duplicar. Este apoio à família é um dos apoios importantes”, sublinha.
“Todo o exercício que temos feito ao nível da ação social escolar também, ao nível do apoio aos estudantes do ensino superior. (…) Pode parecer menos importante, mas nós tínhamos uma rede de parques infantis completamente degradada, criámos um plano e estamos progressivamente a recuperar todos estes espaços de brincar das crianças, com novas abordagens, novas preocupações, nomeadamente em ambiente escolar”, vinca Rui Anastácio.
Para a “recuperação do concelho”, o edil sublinha a importância daqueles que vão chegando até ao concelho de Alcanena.

“Nós temos tido uma preocupação de acompanhamento deste processo, porque é um processo complexo. Estes movimentos migratórios são muito importantes para a nossa economia, para a saúde da nossa Segurança Social, mas se não forem geridos com muito cuidado, podem tornar-se um problema grave”.
Para o efeito, a autarquia desenvolveu o projeto “All Come – Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes (CLAIM)”, que visa constituir-se como “eixo de referência para uma migração segura, supervisionada e regularizada”.
“Temos procurado chamar a nossa comunidade, ainda no dia 1 de maio fizemos um almoço comunitário onde tivemos 12 ou 14 comunidades e nacionalidades diferentes que já estão no nosso concelho, em que nós oferecemos os ingredientes e cada comunidade criou pratos da sua cultura e nós sabemos a importância que a gastronomia tem para cada um de nós”, afirmou.

Rui Anastácio indicou que a comunidade católica do concelho envolveu-se no objetivo e está a “ajudar neste movimento de proximidade que é necessário, assim como as IPSS do concelho.
“É este movimento de especial atenção a um fenómeno que está a acontecer no país, e também no concelho de Alcanena, que nos pode permitir potenciar tudo o que podem ter de bom estes movimentos migratórios e evitar problemas que eles também nos possam trazer”, notou.
“Portanto, isso exige da nossa parte, enquanto comunidade, não só da Câmara, uma grande atenção a estes fenómenos que são importantes para os nossos territórios se forem bem geridos e que podem ser um problema se forem mal geridos. A esse nível temos um grande desafio”, vincou Anastácio.
De acordo com o autarca de Alcanena, o executivo tem acompanhado “muito bem” estes processos e que “garantirão uma integração de sucesso que é o que todos nós, enquanto comunidade, procuramos”.
