E se, de repente, 100 mil oliveiras desaparecessem? Seriam libertadas para a atmosfera mais de 300 mil toneladas de CO₂, o equivalente a centenas de anos da vida de uma oliveira, que desaparecem levando consigo não só o carbono armazenado, mas também a sua memória e tradição.
O projeto Apadrinhaumaoliveira.org nasceu há dois anos, precisamente no Dia Mundial do Ambiente de 2023, com o apoio da Endesa e em parceria com o projeto espanhol Apadrinaunolivo.org para combater essa perda.
A iniciativa tem como objetivo a recuperação das oliveiras centenárias abandonadas, devolvendo vida ao território rural e criando impacto ambiental, social e económico.


Atualmente, o impacto é visível: já foram recuperadas mais de 4.000 oliveiras, regenerando 65 hectares de terreno e apoiando 27 proprietários locais. O projeto criou sete postos de trabalho a tempo inteiro, incluindo cinco ex-trabalhadores da central termoelétrica do Pego (Abrantes), e conta com uma comunidade crescente de padrinhos, madrinhas e empresas parceiras.
No Dia Mundial do Ambiente, a Apadrinhaumaoliveira.org renova o apelo: apadrinhar uma oliveira é um gesto simples, mas com impacto profundo.
Com um donativo anual de 35€ ou 60€, qualquer pessoa ou empresa pode apadrinhar uma oliveira abandonada, batizá-la, visitá-la sempre que quiser e, todos os anos, receber como agradecimento azeite virgem extra produzido a partir das oliveiras recuperadas.
“Esta iniciativa única em Portugal é um exemplo claro de como queremos transformar a região de Abrantes para construir, a par de um grande desenvolvimento energético, oportunidades de futuro ligadas ao território. A promoção do agronegócio deixa valor acrescentado na comunidade local e permite a abertura de novas oportunidades para a população. Estamos focados em promover e desenvolver os meios rurais cada vez mais, e por isso apoiamos ‘Apadrinha Uma Oliveira’. Reconhecemos a importância do agronegócio e estamos comprometidos a criar oportunidades que beneficiem a comunidade local e que tenham em conta o ambiente”, afirma o diretor geral da Endesa em Portugal, Guillermo Soler.

Recuperar oliveiras é travar a crise climática
Ao contrário de uma árvore recém-plantada, que só começa a captar carbono de forma significativa ao fim de 10 a 15 anos, as oliveiras centenárias já acumularam milhares de quilos de CO₂ ao longo da sua longa vida. Se morrerem, todo esse carbono é libertado e não há tempo para o recuperar.
Os olivais tradicionais são paisagens vivas, onde aves, insetos e plantas nativas encontram abrigo. A sua recuperação protege a biodiversidade, estabiliza os solos e mantém um equilíbrio ecológico essencial.
Cada oliveira conta. A sua preservação é uma forma concreta de combater a crise climática e preservar a biodiversidade.


Manutenção ativa contra incêndios
Mas o impacto não é apenas climático. A recuperação dos olivais tem também um papel fundamental na defesa do território contra incêndios rurais.
Um terreno cuidado reduz significativamente o risco de propagação do fogo, funcionando como zona de contenção entre áreas florestais e zonas habitadas. Em 2024, mais de 100.000 hectares arderam em Portugal (dados do ICNF). A recuperação de terrenos agrícolas como estes é, por isso, uma medida de prevenção considerada “urgente”.

Empresas que inspiram ação climática
O projeto ‘Apadrinha uma Oliveira’ tem crescido com o apoio de pessoas e organizações que acreditam na regeneração do território como resposta à crise ambiental e social.
A Endesa, no âmbito do seu Plano de Transição Justa, é a patrocinadora oficial desta iniciativa, lançada após o encerramento da central termoelétrica do Pego. O seu apoio foi fundamental para iniciar a recuperação dos primeiros olivais e criar a equipa no terreno.
Outras empresas têm vindo a juntar-se à missão, apadrinhando olivais, promovendo ações de voluntariado e reforçando os seus compromissos ESG com ações concretas, que contribuem para a biodiversidade, para a criação de emprego local e para o combate às alterações climáticas.

