Apadrinha um Idoso”: quando um gesto simples ilumina o Natal no Tramagal. Foto: mediotejo.net

Entre risos, mãos trémulas e olhos que brilham com a memória do que já viveram e com expectativa pelo que ainda virá, os idosos partilharam com o mediotejo.net o que significa, para eles, serem apadrinhados.

Maria Josefina, 97 anos, pediu apenas umas “meias quentinhas”, mas carrega no olhar a verdadeira prenda:
“Sempre gostei do Natal. Agradeço a todos que têm essa generosidade de nos dar alguma coisinha… e gostava muito de saber quem me apadrinhou.”

Ao seu lado, Jacinta Costa (87) e Maximina Gomes (69) assentem devagar, unidas no mesmo desejo simples e profundo: “Saúde para todos, principalmente os que nos querem bem.”

No salão do Centro, a vida acontece em mesas de trabalhos manuais: colas, cartolinas, risos e dedos que recuperam memórias de infância. Luís Sequeira (70), Almerinda Lourenço, Francisco Metelo (79) e Florinda Menaia (76) moldam decorações enquanto celebram a boa-nova: “Já fomos todos apadrinhados!”

Luís resume o sentimento de forma simples: “É uma tradição que queremos manter. Somos beneficiados com aquilo que pedimos… mas o mais importante é sabermos que alguém pensou em nós.”

João Monteiro (78) e Vítor Vilar ‘Terramoto’ (84) chegaram há pouco ao Centro Social Paroquial Nossa Senhora da Oliveira, mas já sentem que este Natal tem outro sabor.

“Há alguém que nos dá o que pedimos… também nós devemos retribuir a quem nos trata bem.” — diz João, emocionado. O presente ainda não chegou, mas ele admite: “Foi um sentimento que chegou muito bem ao meu coração.”

Vítor, com a voz embargada, deixa no ar uma certeza: “Este Natal vai ser diferente. Vai ser mais feliz.”

Joaquim Correia (89) e António Pinheiro (92), apesar das memórias já irrequietas, lembram bem o que sentiram no ano passado — e sabem que o mais importante permanece: “É sempre bom ter alguém que se lembre de nós, mesmo que seja com pouco.”

Para quem apadrinha, o gesto é tão marcante como para quem recebe. Rute Oliveira, madrinha este ano, lembra: “Os idosos não devem esquecer esta altura. Devemos dar-lhes amor. Esta iniciativa dá-lhes conforto.”

A diretora técnica, Daniela Augusto, conta que tudo começou ao observar a realidade de alguns idosos durante a época natalícia. “Idealizámos este projeto com espírito natalício. Queríamos transformar o Natal deles — e agradecer à sociedade, que abraçou esta iniciativa.”

Helena Pereira, animadora do Centro, descreve a emoção difícil de conter: “Eles ficam imensamente gratos… às vezes nem conseguem verbalizar.”

Apadrinha um Idoso”: quando um gesto simples ilumina o Natal no Tramagal. Foto: mediotejo.net

Ao longo de dezembro, o Centro enche-se de atividades e, no dia 16, juntará idosos e crianças num almoço especial, onde se farão as trocas de prendas — o encontro perfeito entre gerações que se reconhecem no afeto.

No Tramagal, o Natal prova que basta um gesto para mudar um dia — e, às vezes, um coração inteiro.

Estudante de Comunicação Social. Desde muito nova percebeu que gosta de comunicar, ouvir e conversar com o outro. É fascinada por conhecer histórias de vida e acompanhar de perto novos projetos.

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