O vereador do Movimento P’la Nossa Terra na Câmara Municipal de Torres Novas, António Rodrigues, despediu-se na quarta-feira do executivo camarário, tendo renunciado ao cargo de vereador. Durante a reunião de Câmara, António Rodrigues afirmou não se sentir como “gostaria” e que o percurso “não tem sido fácil” por existirem “muitas coisas” com as quais não concorda.
“Eu quando concorri às eleições, há três anos atrás, obviamente foi algo muito consciente, mas foi tudo muito em cima (…), mas avancei. Quando obtivemos os resultados que obtivemos, muitas pessoas não pensavam que o António Rodrigues aceitasse ser vereador. (…) Assumi as minhas responsabilidades, assumi aquilo que os torrejanos quiseram de mim e aqui estive este tempo todo”, recordou.
No momento do “adeus” do cargo de vereador, António Rodrigues afirmou que esta não era uma “despedida do futuro” e que Torres Novas continuará a ser uma das suas paixões. “Não me sinto aqui como eu gostaria de me sentir, mas não me despeço do futuro, muito menos de Torres Novas e de uma das minhas paixões de vida que é a nossa terra”.
“Perceberão que não tem sido fácil para mim estar aqui, porque há muitas coisas com as quais não concordo, com as quais naquilo que posso voto contra, faço as minhas contestações, mas não me sinto bem também porque? As pessoas na rua (…) associam-me ao mau que cada câmara tem e esta também tem o seu mau. Ainda ontem alguém me dizia “você não consegue dar a volta aquilo”. Ainda aqui há dias esteve aqui uma senhora que veio aqui ter comigo e disse “o senhor também é culpado””, acrescentou.
No ato da suspensão de mandato, António Rodrigues apresentou um vídeo que recorda as duas décadas em que exerceu o cargo de presidente de Câmara, entre 1993 e 2013, tendo saído na altura devido à lei de limitação de mandatos.

Tendo afirmado existir algo “que não está a correr bem”, António Rodrigues dirigiu-se ao executivo e aconselhou uma “retrospecção e pensar bem que destinos é que Torres Novas está a ter”.
“Eu vou apresentar a renúncia do meu mandato, é óbvio que a todos vós vos desejo aquilo que desejo a qualquer um, o bem. (…) Dizer que o Movimento P’la nossa terra vai continuar, não sou só eu, são muitos e bons cidadãos”.
Embora termine as suas funções no executivo de Torres Novas, António Rodrigues afirma que o “Movimento P’la Nossa Terra” vai continuar representado na Câmara com “outro vereador ou vereadora”.
“Terei pessoas que me virão aqui substituir e que farão, talvez até melhor do que eu, um bom desempenho. Não estão marcadas pelo passado como eu”, declarou.
“Porque é que eu fiz este vídeo? Porque quem viveu aquilo que os senhores aqui viram e vivi convosco (…), quem viveu aqueles tempos tem dificuldade em viver os tempos atuais. É tão simples quanto isso. Por isso vos digo que não me estou a despedir de nada. Estou-me a despedir deste executivo, não me estou a despedir do futuro”, concluiu.
António Rodrigues foi vereador da autarquia torrejana durante três anos, após as eleições autárquicas de 2021, tendo dado por terminado as suas funções na manhã de quarta-feira, 18 de dezembro.
O antigo presidente da Câmara de Torres Novas António Rodrigues (PS) candidatou-se em 2021 à presidência do município como independente.
António Rodrigues presidiu à Câmara de Torres Novas entre 1994 e 2013, altura em que foi impedido de se candidatar devido à lei da limitação de mandatos, tendo sido substituído à frente da gestão do executivo torrejano pelo então seu vice-presidente Pedro Ferreira, que está agora a concluir o seu terceiro mandato.
António Rodrigues, empresário, disse à Lusa, em 2021, que se mantém como militante do PS, estando a responder a uma “obrigação cívica” decorrente dos muitos apelos que tem recebido por parte de munícipes.
António Rodrigues afirmou que o movimento P’la Nossa Terra, que apoiou a sua candidatura, foi constituído com o objetivo de apoiar uma candidatura sua à presidência do município nas autárquicas de 2017, o que optou então por não fazer.
“Não concorro contra ninguém”, afirmou, sublinhando que o seu lema é “Por Torres Novas” e que se candidatava porque acreditar que “é preciso fazer muito mais” pelo concelho, apontando como áreas prioritárias a atração de investimento e a aposta na reabilitação do rio Almonda e do centro histórico da cidade.
c/LUSA
