Integrada na programação da Odisseia Nacional do Teatro Nacional D. Maria II, a cidade de Tomar vai acolher na sexta-feira a estreia nacional da peça teatral ‘As Castro’, de Raquel Castro. O espetáculo decorre no cineteatro Paraíso, às 21h30, nos dias 16 e 17 de junho.
A peça, que surge da vontade de a artista “querer descobrir” de que forma o seu passado “filial e histórico” influenciou a pessoa que é hoje, tem por base 300 antepassados da atriz e encenadora, histórias das suas vidas, das suas famílias, e sobretudo das mulheres, a quem omitiam as profissões. Um estudo genealógico feito por um profissional, com a ‘árvore’ da criadora até ao século XVIII, foi o ponto de partida para “um mergulho em algumas histórias de família, nomeadamente do ramo materno”.
No meio de algumas curiosidades, Raquel Castro decidiu investir mais nas histórias das mulheres que lhe são mais próximas – a mãe e a avó materna, de que a mãe é cuidadora -, assim como noutras mulheres “que vieram antes delas”.
Entre as curiosidades que descobriu na sua árvore genealógica, Raquel Castro menciona o caso da trisavó materna, que era tanoeira, mas cuja profissão surge omitida nos registos, à semelhança do que acontecia com outras antepassadas.
“Não era hábito referir as profissões das mulheres”, frisou.
Em relação aos espetáculos que tem feito antes, Raquel Castro chama a atenção para o trabalho conjunto de “As Castro”, pelo facto de ter atores e atrizes a interpretarem papéis de seus familiares, com quem vai contracenar, e com os quais vai “tentando ficcionar sobre os ‘buracos negros’” das histórias, frisou.
“Contraceno e, com elas, [em conjunto] vamos, no fundo, tentando ficcionar alguns buracos negros”, especulando sobre familiares e recuando mais para trás.
“Mas também mergulhamos em séries dramáticas” das relações mais próximas, observou Raquel Castro, acrescentando que vão mesmo “escarafunchar” nas histórias de família.
Mães, filhas, pais, maridos vão preenchendo este espetáculo que decorre em vários cenários consoante as famílias e as épocas a que se reportam, num espetáculo que Raquel Castro assume trazer histórias “que podem tirar o sono”.
“As Castro”, uma produção da Razões Pessoais em conjunto com o Teatro Nacional D. Maria II e A Oficina – Centro Cultural Vila flor (Guimarães), estreia-se no próximo dia 16 e tem nova representação no dia seguinte, em Tomar.
No dia 24 de julho, a peça será apresentada no Quartel das Artes, em Oliveira do Bairro, e, em 15 de dezembro, no Pequeno Auditório do Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães.
“As Castro” tem texto e direção artística de Raquel Castro, que também interpreta, com Sara Inês Gigante, Sara de Castro, Tânia Alves e Tónan Quito.
O espetáculo tem apoio dramatúrgico de Pedro Gil e apoio à criação de Sara Inês Gigante.
A cenografia é de Joana Subtil, os figurinos de José António Tenente, o desenho de luz de Daniel Worm e, na pesquisa genealógica, esteve Rui Árias Ribeiro.
Entre as criações anteriores da atriz, encenadora e dramaturga contam-se “Os dias são connosco”, a exposição-performance “Uma retrospetiva”, esta em colaboração com Mariana Tengner Barros, ambas de 2013, “Dona de Casa”, de Esther Gerritsen (2014), “Casa Vaga”, que criou com Gonçalo Amorim, Pedro Gil e Rui Pina Coelho (2015), “Terreno Selvagem”, com Pedro Gil e Miguel Castro Caldas (2016), “O olhar de milhões” (Rede 5 Sentidos) e “Turma de 95” (2019) e “A morte de Raquel” (2020).
O Teatro Nacional D. Maria II vai estar presente este ano em todas as regiões do país com uma programação que integra centenas de propostas agrupadas em cinco programas – espetáculos, projetos de participação, atividades para o público escolar, eventos de pensamento e formação e ainda uma exposição.

