Foto: Paulo Jorge de Sousa

Esta é uma expressão que se usava há alguns anos atrás, para simbolizar, talvez, um pensamento de renovação. Eu desejaria que este ano pudéssemos dar mais valor ao intelecto e ao pensamento e, consequentemente, aos nossos atos.

Em 2022 iniciou-se uma guerra na Ucrânia e lembro-me que durante algum tempo éramos todos ucranianos. Substituímos as nossas fotos de perfil pelas cores da bandeira Ucraniana, alterámos a iluminação de alguns monumentos com as mesmas cores e todos vimos e continuamos a ver as imagens chocantes que nos chegam de lá.

Há milhões de pessoas sem casa, sem comer, sem eletricidade e com as memórias ainda vincadas pelos estrondos das bombas a cair que vão destruindo tudo à sua volta (as que sobreviverem, claro).

Mas refiro isso hoje porquê?

Porque custa-me a perceber como é que muitas dessas pessoas que foram Ucranianas uns tempos (e podem continuar a ser), tivessem comemorado a passagem do ano com bombas e morteiros, tal qual um cenário de guerra. Cada estrondo deveria lembrá-los das bombas que aquele povo ainda ouve todos os dias e da miséria que isso lhes provoca.

Fogo de artifício ainda consigo entender, pela festa e pela sua beleza visual, mas morteiros e bombas isoladamente, isso não consigo perceber. Nem eu nem os pobres coitados dos animais aqui em casa.

Quem quer estar com o povo Ucraniano e, como sinal de respeito, não deveria estar a iluminar a tarde e a noite com explosões de bombas, foguetes e morteiros como se de uma guerra se tratasse.

Bem vindo 2023.

Fotografia: Sardoal, 30 de dezembro de 2022

Paulo Jorge de Sousa

Nasceu no Sardoal em 1964, e é licenciado em Fotografia. Fez o Curso de Fotojornalismo com Luíz Carvalho do jornal “Expresso” (Observatório de Imprensa). É formador de fotografia com Certificado de Aptidão Profissional (registado no IEFP). Faz fotografia de cena desde 1987, através do GETAS - Centro Cultural, do qual também foi dirigente e fotografou praticamente todos os espetáculos. Trabalha na Câmara Municipal de Sardoal desde 1986 e é, atualmente, Técnico Superior, editor fotográfico e fotógrafo do boletim de informação e cultura da autarquia “O Sardoal” e de toda a parte fotográfica do Município. É o fotógrafo oficial do Centro Cultural Gil Vicente, em Sardoal. Em 2009, foi distinguido pela rádio Antena Livre de Abrantes com o galardão “Cultura”, pelo seu percurso fotográfico. Conta com mais de meia centena de distinções nacionais e internacionais. Já participou em dezenas de exposições individuais e coletivas.

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