Os Romanos foram os primeiros a definirem um dia para a comemoração da festa de Ano Novo, o que aconteceu em 753 a.C. Estabeleceram, nessa altura, que o ano começava a 1 de Março, mas tal data foi trocada, em 153 a.C., pelo 1.º de janeiro, o que continuou a acontecer no calendário juliano, adoptado em 46 a.C. Em 1582, a Igreja Católica consolidou a comemoração quando adotou o calendário gregoriano, promulgado pelo Papa Gregório XIII. Com o passar do tempo, o calendário gregoriano tornou-se quase universal, tendo a sua generalização começado por países do ocidente, como França, Itália, Espanha e Portugal.
Mais recentemente, a celebração do ano novo passou a ser conhecida também pela expressão Reveillon, termo oriundo do verbo Francês réveiller, que significa despertar. A palavra era usada no século XVII em jantares longos e chiques realizados diversas vezes durante o ano, mas com o tempo tal designação passou a ser usada só nos festejos do dia 31 de dezembro.
Ao longo dos séculos, diferentes culturas têm comemorado a passagem de ano enquanto ritual festivo que representa o início de um novo ciclo de vida, novos acontecimentos, momento que se propõe marcar transformações e simbolizar renascimento. Os rituais de comemoração do ano novo tiveram a sua origem ligada à natureza, aos ciclos celestes e lunares e à agricultura. Essa ideia de recomeço foi preservada até à atualidade.
Uma espreitadela à cronologia abrantina do século XX, a título de exemplo, mostra-nos que o dia 31 de dezembro foi várias vezes escolhido para pôr fim a determinados projetos, enquanto o 1.º dia do ano marcou com alguma frequência a inauguração de edifícios ou a fundação de instituições: em 1933 foi inaugurado o mercado de Abrantes; em 1938 foi criada a Banda Filarmónica Alveguense.
No que diz respeito às tradições da passagem de ano, elas são diversas, dependendo da cultura e da latitude. No Japão, por exemplo, trata-se da mais importante celebração do calendário do país do Sol nascente, onde a data é considerada sagrada. Os japoneses prolongam o oshougatsu por vários dias, que podem chegar a uma semana, sendo uma oportunidade privilegiada para as pessoas se purificarem e fazerem orações de boas-vindas ao ano que se inicia. É curioso o facto de os nipónicos, em vez de saudarem o novo ano, agradecerem por aquilo que conseguiram no ano que está a terminar.
Na Escócia, existem várias costumes associados à passagem de ano, a mais conhecida das quais é a de ser a primeira pessoa a pisar a propriedade do vizinho, o que é designado first-footing (primeira pegada).
No Brasil, as boas vibrações do novo ano são conseguidas, segundo a tradição, com o uso de roupas brancas na passagem de ano ou com o consumo de um prato de lentilhas na ceia de final de ano.
Entre nós, são várias as tradições associadas à passagem de ano. Um dos nossos costumes consistia em comer uma mistura feita com as sobras da ceia, a 1 de janeiro. O ingrediente principal da chamada “Roupa Velha” é o bacalhau cozido, com ovos, cebola e batatas, regados com azeite.
Também é habitual associar 12 passas a 12 desejos, durante as 12 badaladas, o que, defendem alguns, trará muita sorte, o mesmo acontecendo com a prática de subir a uma cadeira com uma nota numa mão. Estrear uma peça de roupa interior ou fazer a cama com lençóis a estrear também são superstições que alguns associam à ideia de renovação, assim como o hábito ancestral de deitar fora objetos velhos que perderam a utilidade.
Fazer barulho é igualmente uma das práticas antigas, com gritos, lançamento de foguetes ou batendo em panelas. A ideia é espantar os maus espíritos, os demónios e os velhos fantasmas que possam ter atormentado ou perturbado o ano que findou.
Cada qual escolherá a prática que lhe parecer mais adequada, porque alguns “demónios” que atormentaram tanta gente em 2016 parecem não querer desistir da sua ação. Bom ano!
