Cerimónia de inauguração da ampliação do Centro Geriátrico Nossa Senhora da Esperança, em Vila de Rei. Créditos: mediotejo.net

Após um investimento de cerca de um milhão de euros nesta segunda fase – a obra totaliza cerca de 5,5 milhões de euros -, o Centro Geriátrico de Vila de Rei passa a duplicar a capacidade da estrutura residencial, passando de 60 para 117 utentes – neste momento conta com 92 – e vai criar 34 novos postos de trabalho diretos, estando a instituição a recrutar pessoal auxiliar para os seus quadros na área da Geriatria. Mas esse recrutamento apresenta-se como a maior dificuldade, neste momento, devido à escassez de recursos humanos; a instituição precisa de 16 auxiliares de serviços gerais e já não consegue contratar em Vila de Rei.

Por isso, tem recrutado trabalhadores de concelhos vizinhos, contudo, sem transportes públicos compatíveis, o aumento do custo dos combustíveis tem complicado a contratação. Mesmo antes da guerra na Ucrânia, conflito que tem feito disparar os preços do petróleo nos mercados, a instituição decidiu avançar com um subsídio aos seus trabalhadores que vivem fora do concelho, a 20 ou mais quilómetros de distância do posto de trabalho, uma ajuda que ainda assim não atrai mão-de-obra para Vila de Rei, explica ao nosso jornal o diretor geral do Centro Geriátrico Nossa Senhora da Esperança, Valdemar Joaquim.

Cerimónia de inauguração da ampliação do Centro Geriátrico Nossa Senhora da Esperança, em Vila de Rei. Créditos: mediotejo.net

“O concelho de Vila de Rei é pequeno e vamos recrutar aos concelhos limítrofes. Os vencimentos que pagamos é o corrente nestas instituições, baseado muito no ordenado mínimo e claro que o peso hoje do transporte privado tem um custo considerável para a pessoa que mora a 20 km. Por dia são 40 km – outros moram mais longe – e no fim do mês tem um impacto considerável em combustível. Para ajudar criámos uma compensação de 3.60 euros por dia ao trabalhador”, explica o diretor geral da instituição, notando ser “mais uma despesa”.

Esta ampliação, para além da vantagem evidente de duplicar a capacidade da ERPI, Valdemar Joaquim fala de uma outra ligada ao investimento, que se prende com a receita. “Com este investimento”, na ordem de um milhão de euros, “vamos conseguir realizar receita sem que o acréscimo nas despesas seja muito significativo. O que vai ser bom para a saúde financeira da instituição”, disse, lembrando as dificuldades que as IPSS passaram aquando da pandemia, nomeadamente com aumento da despesa.

Valdemar Joaquim, diretor geral do Centro Geriátrico de Vila de Rei
Centro Geriátrico Nossa Senhora da Esperança, em Vila de Rei. Créditos: mediotejo.net

O Centro Geriátrico Nossa Senhora da Esperança foi inaugurado em 2017, com um investimento inicial de 4,5 milhões de euros, sendo uma estrutura da Santa Casa da Misericórdia de Vila de Rei, que conta atualmente com 243 trabalhadores e 380 utentes, nas suas várias valências; ou seja, além do Centro Geriátrico, gere mais duas ERPI, uma Unidade de Cuidados Continuados, uma Creche, um Jardim de Infância e uma Cantina Social, além do serviço de apoio domiciliário.

Cerimónia de inauguração da ampliação do Centro Geriátrico Nossa Senhora da Esperança, em Vila de Rei. D. Antonino Dias assina o livro de visitas. Créditos: mediotejo.net

Valdemar Joaquim reconhece que a dificuldade de contratação de recursos humanos também se prende com os baixos salários, considerando inclusivamente que os trabalhadores do setor “merecem” vencimentos “muito superiores” porque “o trabalho que desenvolvem diariamente é muito meritório, custoso e que fazem com grande dedicação aos nossos utentes”. Contudo, “para já, é inviável”, admite.

Por isso, o diretor geral do Centro Geriátrico de Vila de Rei defende ser importante que os decisores políticos tenham “sensibilidade” para estas questões. “Na Segurança Social sabemos que estão a ser tomadas medidas para apoiar” as IPSS. “Todas as medidas são bem vindas”, afirma. Quanto ao governo considera que “este novo elenco está sensibilizado para estes problemas e que vai dar o seu melhor no sentido ajudar as instituições a ultrapassar este problema, que acaba por ser um problema de todos”.

Cerimónia de inauguração da ampliação do Centro Geriátrico Nossa Senhora da Esperança, em Vila de Rei. Créditos: mediotejo.net

Essas necessidades foram transmitidas à ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, bem como à secretária de Estado para a Inclusão, Ana Sofia Antunes, presentes na cerimónia de inauguração da ampliação do Centro Geriátrico de Vila de Rei.

A ministra leva para Lisboa “uma nota de grande preocupação; a dificuldade em contratar pessoas que esta instituição está a sentir. Não é exclusivo de Vila de Rei, as instituições de solidariedade social estão a ter muitas dificuldades em contratar”, disse, lembrando o programa governamental de apoio às IPSS na contratação. No entanto, reconhece tratar-se de “falta de resposta aos concursos para contratar”. E por isso continua a defender o incentivo de mudança do litoral para o interior.

“É uma das medidas que o Ministério da Coesão Territorial tem e que o governo também tem. Portanto, levamos esta preocupação, tentando perceber que também, para virem pessoas de territórios mais distantes de Vila de Rei, isso implica transportes. Temos de analisar com as Comunidades Intermunicipais a questão dos transportes públicos que é de facto um problema por resolver em territórios do interior e ainda a questão da habitação, porque as pessoas só virão se tiverem habitação. Já não é um problema de trabalho, porque há trabalho, é o problema de terem as coisas que necessitam. Temos de trabalhar de forma muito próxima com os nossos autarcas e com as Comunidades Intermunicipais”, afirmou.

Cerimónia de inauguração da ampliação do Centro Geriátrico Nossa Senhora da Esperança, em Vila de Rei. Créditos: mediotejo.net

Sobre a ampliação do Centro Geriátrico de Vila de Rei, Ana Abrunhosa disse aos jornalistas que “esta obra é o exemplo do trabalho excecional que muitas das nossas IPSS fazem nestes territórios do interior. Também são empregadores muito importantes”.

A ministra sublinhou “uma gestão profissional, muito importante neste tipo de instituições. Tem várias respostas sociais, a vários níveis desde a creche, aos Cuidados Continuados às ERPI e o cuidado que tem nos recursos humanos, nas pessoas que contrata. Temos aqui pessoas muito qualificadas porque para podermos dar respostas sociais de qualidade e inovadoras, porque os desafios hoje é darmos respostas sociais diferentes das do passado, só com pessoas qualificadas”.

Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa

Na cerimónia de inauguração da ampliação do Centro Geriátrico Nossa Senhora da Esperança a provedora Irene Barata lembrou o trabalho na área social feito em Vila de Rei e que, notou, implicou “grande esforço”, tendo afirmado contar com Ana Abrunhosa para continuar a ajudar o interior.

Um dos quartos no Centro Geriátrico Nossa Senhora da Esperança, em Vila de Rei. Créditos: mediotejo.net

Já a secretária de Estado da Inclusão, Ana Sofia Antunes, salientou as diversas valências da Santa Casa da Misericórdia de Vila de Rei, “uma estrutura de grande exigência do ponto de vista da gestão humana e material que chega presentemente a mais de 300 utentes”, notou, considerando um projeto muito bem pensado” uma vez que desde o início foi “planificado” para no futuro “poder alcançar cerca do dobro desses utentes, como agora se vem a verificar”.

Cerimónia de inauguração da ampliação do Centro Geriátrico Nossa Senhora da Esperança, em Vila de Rei. Créditos: mediotejo.net

Também presente na cerimónia, o bispo da diocese de Portalegre e Castelo-Branco, Antonino Dias, notou que Vila de Rei “prima pelas suas estruturas de ação social” o que, destacou, “são um contributo para a comunidade envolvente”.

Situado no centro do país, o município de Vila de Rei é habitado por cerca de 4.000 pessoas e tem apostado estrategicamente na prestação de cuidados assistenciais a idosos para o fomento da empregabilidade e captação de habitantes/residentes, sendo a Santa Casa da Misericórdia de Vila de Rei a maior entidade empregadora do município.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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