Muitos dirão, mas o que tem o amianto a ver com os computadores em falta nas escolas? Tudo e nada ao mesmo tempo. A história é a mesma, a farsa dos últimos 5 anos é muito semelhante tal como o total falhanço em ambos os processos. São também duas medidas anunciadas como novas mas na verdade são duas promessas, duas urgências que têm pelo menos 5 anos. Com 7 anos consecutivos de crescimento económico não se aceita o adiar de duas questões importantíssimas, uma de saúde pública e outra de formação.
O Governo anunciou com pompa e circunstância o programa de retirada do amianto das escolas quando era suposto ter ficado todo retirado até 2018. O problema é que desde 2015 o programa ficou suspenso, pelo menos a parte que competia ao Ministério da Educação, e o pouco que se foi removendo ocorreu por obra e graça das autarquias. Questionados várias vezes sobre isso ao longo dos últimos 4 anos, quer o Ministro da Educação quer a sua então secretária de Estado e atual Ministra da Modernização Administrativa, nunca responderam ao PSD nem aos nossos sucessivos requerimentos.
O Governo de António Costa brincou com a saúde de milhares de portugueses que viram adiada 5 anos, pelo menos, a retirada de matéria tão perigosa das suas escolas. Vir agora anunciar esse plano com tanta pompa é um insulto. Deviam ter vergonha na cara e pedir desculpa.
Quanto ao parque tecnológico das escolas a situação é muito semelhante. Os participantes do Websummit deveriam visitar as escolas portuguesas para ficarem a saber que na maioria dos casos os computadores têm cerca de 15 anos.
Escolas novas, com esculturas e outras loucuras do tempo da Parque Escolar mas onde o material informático é quase do tempo da outra senhora. Um Governo que advoga a transição digital deveria ter noção do ridículo na forma como deixou as escolas. Se em vez de dar manuais escolares às famílias que não precisam e tivesse investido essa verba nas escolas, se calhar todos os miúdos, os que precisam e os que não precisam, teriam acesso a meios tecnológicos de qualidade.
Assim, só os que podem têm em casa computadores (dados pelos pais) e livros de borla dados pelo Governo e os mais pobres só podem contentar-se com os livros e com a relíquias a disquete que sobreviveram na sua escola. A verdadeira escola pública serve para corrigir assimetrias e garantir igualdade de oportunidades, mas assim estão precisamente a fazer o contrário.
