Paulo Graça e Pedro Caldeira criaram o Planos em 2016, que tem vindo a crescer de ano para ano, em público e em ambição. Créditos: Planos Film Fest

“Amarela”, de André Hayato Saito, ganhou o prémio de Melhor Curta-Metragem Internacional na 9ª edição do Planos – Festival Internacional de Curtas-Metragens de Tomar, que terminou no domingo, 23 de novembro, depois de cinco dias com a exibição de 39 filmes, com muito público a assistir, no Cine-Teatro Paraíso.

O filme do realizador com origem japonesa e brasileira já tinha sido distinguido em Cannes, no ano passado, e em Tomar valeu também o prémio de Melhor Atriz a Melissa Uehara, no papel de uma adolescente que rejeita as suas raízes nipónicas, durante o Mundial de Futebol no Brasil.

“Atom & Void”, realizado por Gonçalo Almeida, foi a Melhor Curta-Metragem Nacional, recebendo também os troféus de Melhor Montagem e Melhor Música Original.

A curta “Sash Window”, do iraniano Mohammad Hormozi, filmado clandestinamente e nunca estreado no Irão por razões políticas, foi premiado com o galardão de Melhor Realização.

Além das 20 curtas em competição, houve espaço para muito mais cinema, para diferentes públicos – inclusive para os mais novos, com as sessões do “Planinhos”, dirigidas aos alunos do pré-escolar e 1º ciclo das escolas de Tomar. Houve também concertos e masterclasses, num programa que tem vindo a ganhar ambição de ano para ano, e que em 2026 promete voltar a surpreender, para celebrar os 10 anos deste festival criado por Paulo Graça e Pedro Caldeira.

Em 2016, os dois amigos tinham a “grande vontade” de criar um projeto cultural em Tomar, já tinham realizado curtas-metragens e pensaram que poderiam contribuir para divulgar mais esta forma de cinema, que não é usual nas salas comerciais – e que são também cada vez em menor número, mesmo a nível distrital.

“Na altura nem havia a expectativa de fazer uma segunda edição, não pensávamos a longo prazo”, conta Paulo Graça. Mas correu bem, houve adesão do público e os apoios institucionais ajudaram a cimentar e a fazer crescer o projeto, nomeadamente do Município de Tomar, do ICA e da DG Artes.

O Planos continua a existir graças à entrega destes dois amigos, que têm as suas profissões em paralelo, mas se os filmes que divulgam são sempre de curto formato, o caminho do festival parece destinado a ser longo.

Durante o festival, as manhãs voltaram a ser dedicadas ao “Planinhos”, com sessões para as crianças do pré-escolar e 1º ciclo das escolas de Tomar. Para muitas, esta é a sua primeira experiência com o grande ecrã – uma memória que fica para a vida. Créditos: Planos Film Fest

O mediotejo.net voltou a ser “media partner” deste evento, que tem vindo a cultivar o gosto pelo cinema de autor entre públicos de todas as idades.

PALMARÉS

Melhor Filme Internacional “Amarela”, de André Hayato Saito
Melhor Filme Nacional “Atom & Void”, de Gonçalo Almeida
Prémio do Público “Aquele Abraço”, de Michael Joaquim Matias
Melhor Realização “Sash Window”, de Mohammad Hormozi
Melhor Argumento “Side by Side”, de Amir Raisian
Melhor Direção de Fotografia “There Will Come Soft Rains”, de Elham Ehsas
Melhor Montagem “Atom & Void”, de Gonçalo Almeida
Melhor Sonoplastia “400 Cassettes”, de Thelyia Petraki
Melhor Música Original “Atom & Void”, de Gonçalo Almeida
Melhor Direção de Arte “Red Emma”, de Macha Ovtchinnikova
Melhor Atriz Melissa Uehara (“Amarela”, de André Hayato Saito)
Melhor Ator Seamus O’Hara (“Three Keenings”, de Oliver McGoldrick)

Menções Honrosas
•⁠ ⁠Para a atriz Sofia Nicholson, pelo filme “Os Ecos que Carregamos”
•⁠ ⁠⁠Para os atores João Bica e Manuel Nascimento, pelo filme “Francisco Perdido”

O júri que avaliou os filmes foi composto por Ariana Santos, Bruno Carnide, João Ricardo Oliveira, Luke Morgan, Margarida Mateus, Paulo Peralta e Pedro Caldeira.

Sou diretora do jornal mediotejo.net, diretora editorial da Médio Tejo Edições e da chancela de livros Perspectiva. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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