Terminou mais uma Semana Mundial do Aleitamento Materno e não tive a oportunidade de falar sobre o tema.
Já todos sabemos os benefícios para a saúde da mulher e principalmente da criança, os benefícios para o desenvolvimento do bebé, para o estabelecimento de relação entre mãe e filho, as vantagens para o desenvolvimento sustentável… enfim, um sem número de vantagens diretas e indirectas. No entanto, muitas vezes esquecemos as vantagens para o próprio Sistema Nacional de Saúde, porque uma criança amamentada ganha outro tipo de defesas no seu sistema imunitário, logo o risco de apresentar problemas de saúde é menor.
Por outro lado, esquecemos também as políticas de incentivo à amamentação. Ora, a Organização Mundial de Saúde recomenda a amamentação em exclusivo (ou seja, como único alimento do bebé) até aos seis meses de idade e, como complemento até aos dois anos. No entanto, as mulheres apenas podem ficar em casa de licença até aos cinco meses de idade da criança. Digo podem, porque é quando o subsídio parental é minimamente aceitável.
Apenas pessoas com alguma capacidade económica e com entidades patronais tolerantes, podem usufruir da licença parental alargada, que confere o direito a mais três meses em casa com o bebé, mas pagos a uns míseros 25% da remuneração habitual da mãe. Em alternativa as mães podem espremer as mamas (literalmente), com máquinas de extracção (independentemente de serem de boa qualidade ou não) para deixarem leite materno aos pais, aos avós ou às amas para que possam dar ao bebé. Caso contrário, iniciam a introdução dos sólidos na alimentação do bebé.
Não consigo compreender porque num país desenvolvido, em que se pretende a promoção da parentalidade e o aumento da natalidade, não temos políticas de apoio à amamentação, que vão ao encontro das orientações da Organização Mundial de Saúde. Mais, não consigo compreender porque é que não existem mais Hospitais Amigos dos Bebés e Apoio no Sistema Nacional de Saúde para as mães (e pais) no pós parto, por enfermeiros especializados, que promovam a amamentação, ajudem a superar dificuldades, e apoiem estas mães nesta fase tão importante dos cuidados aos filhos.
Tanto que há para fazer… Quando começamos?
