Há um provérbio chinês que diz “ama-me quando eu menos mereço, porque é quando eu mais preciso” que encaixa na perfeição no tema da nossa crónica de hoje.

As crianças à medida que vão crescendo vão testando os limites e a paciência dos adultos. Levam-nos muitas vezes ao desespero por contrariarem tudo o que lhe dizemos, ou todas as regras ou orientações que damos. Fincam pé, atiram a comida, não vêm quando as chamamos, fazem que não ouvem o que dizemos, amuam, esperneiam, atiram-se para o chão no supermercado, pedem tudo o que veem, fazem caretas às pessoas que passam, tiram a língua aos outros miúdos enfim… uma série de coisas que nos esgotam, principalmente quando estamos cansados.

Espertalhonas como são, percebem rapidamente o que nos aborrece e como nos darem a volta para conseguirem o que querem. As crianças são mesmo assim. Querem os brinquedos dos outros, não emprestam os seus, puxam cabelos, dão beijinhos e abraços, dizem coisas amorosas, riem e choram, gritam e cantam, correm e saltam. É isto que é ser criança. Por isso, há que respirar fundo e mergulhar no mundo delas. Afinal já todos fomos assim. No entanto, não devemos desculpar tudo o que fazem só por serem crianças. Há que impor limites, estabelecer regras e mostrar o que podem ou não fazer, até onde podem ir. Firmeza caros pais e mães, é disso que as crianças precisam.

É certo que em algumas das vez em que as colocamos de castigo, ainda arrancamos um “não gosto de ti” da parte delas. Numa conversa de beira de piscina das crianças este verão, uma mãe queixava-se que o filho quando é contrariado lhe diz que vai arranjar um pai, uma mãe e até uma mana nova. A mãe ria-se, mas percebia-se a frustração por ouvir estas coisas. Comentários destes pelos nossos filhos, levam-nos a pensar que estamos a falhar em alguma coisa, e se calhar até estamos, mas é normal. Faz parte do desenvolvimento da sua personalidade e das tentativas de levarem avante as suas intenções.

O melhor é mesmo não dar muita importância e enquadrar a situação. Perceber que as crianças não sentem verdadeiramente o que estão a dizer e retribuir referindo que não importa, porque nós pais, as amamos muito.

Vânia Grácio é Assistente Social e Mediadora Familiar e de Conflitos.
Licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior Bissaya Barreto e Mestre em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga. Pós Graduada em Proteção de Menores pelo Centro de Direito da Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e em Gestão de Instituições de Ação Social pelo ISLA. Especializou-se na área da Mediação de Conflitos pelo Instituto Português de Mediação Familiar e de Conflitos.
Trabalha na área da Proteção dos Direitos da Criança e da Promoção da Parentalidade Positiva. Coloca um pouco de si em tudo o que faz e acredita que ainda é possível ver o mundo com “lentes cor-de-rosa”. Gosta de viajar e de partilhar momentos com a família e com os amigos (as). Escreve no mediotejo.net ao sábado.

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