XXIV Encontro de Bandas Filarmónicas, Alvega

Realizou-se este sábado, 12 de maio, o XXIV Encontro de Bandas Filarmónicas em Alvega, no concelho de Abrantes, numa organização da Banda Filarmónica Alveguense que trouxe até à Escola Dr. Fernando Loureiro a Banda da Sociedade Filarmónica União 1º Dezembro de 1902, de Atouguia da Baleia, Peniche, e a Sociedade Filarmónica Riomoinhense, de Rio de Moinhos, Abrantes.

O XXIV Encontro de Bandas Filarmónicas, inicialmente previsto para abril com a participação de duas bandas filarmónicas e duas tunas académicas, sendo uma de Aveiro e outra de Coimbra para a realização do I Festival Tun’s Aritium Vetus, realizou-se este sábado, em Alvega, com a Banda da Sociedade Filarmónica União 1º Dezembro de 1902, de Atouguia da Baleia, Peniche, e a Sociedade Filarmónica Riomoinhense, de Rio de Moinhos, Abrantes.

Abril, mês da fundação da Banda Filarmónica Alveguense (BFA) no ano de 1882, revelou-se uma impossibilidade “por motivos de permutas entre bandas e pela não confirmação da presença das duas tunas convidadas por falta de elementos”, explica a direção da BFA.

XXIV Encontro de Bandas Filarmónicas, Alvega

E com o mote “a Música eleva o Espírito e Dulcifica a Alma”, a festa fez-se no início de maio, juntando mais de 100 músicos, primeiro em desfile individual  pelas ruas da freguesia, depois o encontro das três bandas na Praça da República onde se situa o coreto da aldeia, e por fim na Escola nº1 E/B Dr. Fernando Loureiro para os concertos vespertinos, graças à cedência do espaço pelo Agrupamento de Escolas nº1 de Abrantes e pelos serviços de Educação do Município.

Estes Encontros e “as permutas entre as bandas servem para convívio e para apresentação da sua atividade musical e do repertório que é o resultado do trabalho desenvolvido ao longo do ano”, explicou ao mediotejo.net o presidente da BFA, António Moutinho.

Na atualidade, a principal dificuldade da Banda de Alvega passa por conseguir recrutar jovens. “Não é fácil tendo em conta que a população está cada vez mais envelhecida, [na aldeia] tudo tem vindo a encerrar o que é lamentável. Vamos conseguindo com algumas dificuldades, com pessoas de todas as localidades da freguesia” refere.

Para facilitar a adesão ao grupo, dá conta que a BFA dispõe de “uma carrinha que faz o transporte todos os sábados, para os ensaios” na escola de música. “Somos um grupo unido, vamos conseguindo manter os que estão”, acrescenta.

XXIV Encontro de Bandas Filarmónicas, Alvega

Apesar das dificuldades, apresenta-se com uma Banda “bastante jovem”. Os dois músicos mais antigos – Etelvino Narciso com 81 anos e Manuel Santana com 80 – são a exceção, os restantes músicos “têm entre 14 e 20 anos”. António Moutinho aponta como causa, da dificuldade em mobilizar mais jovens para a Banda, o encerramento do ensino secundário em Alvega.

“O ensino que há é básico e as crianças são muito novas para aprender”, considerando a “idade ideal” para iniciar a aprendizagem entre os 10 e os 12 anos.

Sobre a participação da comunidade alveguense no Encontro, António Moutinho lamenta que “não seja ativa, uma vez que existe um trabalho logístico que não é fácil” para levar a cultura à população, e lamentou também “a indisponibilidade do Executivo da União de Freguesias de Alvega e Concavada para estar presente” no evento. O Encontro contou, no entanto, com a presença do vereador da Câmara Municipal de Abrantes, Luís Dias, responsável pelo pelouro da Cultura.

Dois músicos da BFA

A direção da BFA vê neste Encontro de Bandas Filarmónicas “o redobrar de responsabilidades, quer na mobilização de meios que permitam o maior sucesso na concretização dos objetivos previstos no anual plano de atividades, quer na dignificação de bem receber quem nos visita”.

Expressa “orgulho” nas permutas com Bandas Filarmónicas portuguesas que vêm “promover e dignificar a cultura através da arte musical e dos músicos” que as compõem, apresentando “um reportório diversificado, fruto do trabalho coletivo desenvolvido ao longo do ano que gostosamente vem enobrecer a população” da freguesia de Alvega.

Na BFA, António Augusto Lopes, professor na escola de música ‘Cantar Nosso’ da Golegã, já vai no “segundo mandato” como maestro da Banda que conta atualmente com cerca de 30 músicos.

Maestro da BFA, António Augusto Lopes

“Primeiro ingressei na Banda onde estive sete anos, depois saí por razões profissionais e voltei há quatro”, explica ao mediotejo.net. Garante que ensinar música a uma banda com elementos juvenis “é fácil, mesmo a nível de comportamentos, lida-se bem com os jovens”, além disso, “são empenhados. Numa aldeia as pessoas são, por vezes, mais dedicadas à música do que nas cidades”, observa.

O maestro considera “normal” a banda ser composta na sua maioria por jovens, que dão os primeiros passos nas notas musicais.

“Os jovens arrastam outros, os amigos e colegas de escola”, diz. E as aulas funcionam de forma individual “com cada um dos elementos da Banda e depois um ensaio de duas horas ao sábado” obrigando a trabalho de casa “estudando as lições, têm sempre um bocadinho de trabalho” embora não seja diário porque “não são músicos profissionais”.

Os ensaios existem precisamente para “preparar os concertos”, explica. Para António Augusto a música “é muito importante para o desenvolvimento dos jovens e das crianças, além de os manter ocupados”. E na BFA toca-se “todos os instrumentos de sopro e percussão e às vezes alguns de corda”.

Banda da Sociedade Filarmónica União 1º Dezembro de 1902, de Atouguia da Baleia

A Banda da Sociedade Filarmónica União 1º Dezembro de 1902, de Atouguia da Baleia, fundada em 1902 é atualmente dirigida pelo maestro João Paulo Ferrão e conta com cerca de 50 músicos.

Já a Sociedade Filarmónica Riomoinhense, de Rio de Moinhos, foi fundada no início do século XIX, sendo a mais antiga de todas as associações e coletividades do distrito de Santarém, ainda hoje em funcionamento. Atualmente, conta com três dezenas de executantes e é regida pelo maestro Aníbal Lobato.

Aos concertos, que ocorreram na tarde deste sábado com 30 minutos cada Banda para mostrar o seu reportório, apresentando ao público quatro ou cinco composições musicais, seguiu-se a entrega das lembranças. No encerramento, houve lugar ao Baile da Primavera, com a atuação do músico David Alves.

XXIV Encontro de Bandas Filarmónicas, Alvega

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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