Lançamento do livro solidário 'Pana Paná' do Agrupamento de Escolas de Constância. Créditos: mediotejo.net

“O Jorge era um menino diferente. Estava sempre com a cabeça nas nuvens e parecia viver noutro planeta. Os colegas achavam-no estranho e raramente o incluíam nas suas brincadeiras”. Está apresentado o herói do livro ‘Pana Paná’, escrito por alunos do 7ºB, através da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, da Escola Básica e Secundária Luís de Camões, sob a orientação da professora Paula Malheiro, com um fim solidário e editado pelo Agrupamento de Escolas de Constância.

“Quando pensamos no que é Educação, naquilo que são os nossos objetivos e aquilo que queremos para os nossos alunos, e efetivamente, todos dizemos que queremos que os nossos alunos cresçam como cidadãos ativos, pessoas inteiras, é disto que falamos”, começou por dizer a diretora do Agrupamento, Olga Antunes. Ou seja, a capacidade dos alunos, no âmbito da disciplina de Cidadania “poderem dar azo à sua imaginação, à sua criatividade e escreverem um livro”.

A diretora do Agrupamento de Escolas de Constância, Olga Antunes, durante o lançamento do livro solidário ‘Pana Paná’. Créditos: mediotejo.net

O livro ‘Pana Paná’ – que significa um conjunto de borboletas – , é sobre a história do Jorge e de uma borboleta mágica, convida à reflexão sobre a diferença e o poder da solidariedade, e foi ilustrado por crianças em tratamento no Hospital Pediátrico de Coimbra e na Casa Acreditar de Coimbra. É vendido pelo preço de 10 euros e o montante conseguido com a venda reverte para a Acreditar.

Por seu lado, o 7ºA escreveu livro digital “O Erro Corrigido”, titulo inspirado num poema de Alexandre O’Neill, orientado pela professora Maria Clara, numa história que promove o respeito pelas diferenças, a igualdade e a solidariedade. Igualmente apresentado, na sexta-feira, naquele que foi o primeiro evento que o Cineteatro Municipal recebeu após a renovação. No projeto estiveram envolvidos 42 alunos.

“E não tem menos criatividade, e não tem menos trabalho ou menos dedicação. É um trabalho que conseguiu ser transversal às disciplinas que conseguiu reunir uma série de vontades e competências”, acrescentou a diretora.

Em representação da Acreditar esteve presente no lançamento do livro Maria de Fátima, que explicou ser o principal valor da associação “a esperança”. Além desse valor contam “a empatia e o sentido de comunidade”.

A associação define-se como “uma rede de partilha e apoio feita de crianças, jovens, pais e amigos”. Tem como missão “tratar a criança ou o jovem com cancro e não só o cancro na criança ou jovem”, promovendo a sua qualidade de vida e da família.

A Acreditar possui três casas de acolhimento em Lisboa, Coimbra e Porto e um Centro de Dia na Madeira. Mas a associação encontra-se a alargar a sua Casa em Lisboa, junto ao IPO. Aos atuais 12 quartos juntam-se outros 20 o que permitirá acolher até 32 famílias em simultâneo.

Com a duração prevista de um ano, a obra tem um custo de construção aproximado de 3 milhões de euros. E é para esta ajuda que o Agrupamento de Escolas de Constância vai contribuir. Em 2021 foram apoiadas 1911 família, explicou Maria de Fátima.

Maria de Fátima da Acreditar durante o lançamento do livro solidário ‘Pana Paná’ do Agrupamento de Escolas de Constância. Créditos: mediotejo.net

Pretendendo ser “a voz” das famílias de crianças e jovens com cancro, durante a sua intervenção, a responsável não deixou de lembrar duas grandes conquistas da Acreditar: o alargamento do período de luto de cinco para 20 dias pela morte de um filho; e a alteração jurídica da lei do direito ao esquecimento.

O livro pode ser adquirido através do Agrupamento de Escolas de Constância.

Capa do livro ‘Pana Paná’ escrito pelos alunos do Agrupamento de Escolas de Constância. Créditos: mediotejo.net

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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