Um aluimento de terras na ponte rodoviária sobre o Tejo, na localidade de Barreiras do Tejo, está a preocupar autoridades e moradores em Abrantes, numa altura em que a cidade enfrenta cheias históricas, consideradas as mais impactantes das últimas três décadas. O talude de proteção da guarda da ponte está a ceder, tendo o acesso pedonal do lado direito já sido cortado e sinalizado, segundo informou o presidente da União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede, João Marques.
As Infraestruturas de Portugal foram contactadas e uma avaliação está prevista para sexta-feira. “Esperemos que não seja nada de monta, mas é preocupante, porque passa muita gente a pé ali no tabuleiro da ponte”, disse João Marques. Em declarações ao nosso jornal, o presidente apelou à cautela e a que evitem ir ao local por mera curiosidade: “O mais importante, acima de tudo, é que as pessoas circulem em segurança.”
Durante o dia, a equipa da União de Freguesias trabalhou na consolidação de vários taludes, incluindo barreiras que foram abatendo, em colaboração com os Serviços Municipalizados e a Proteção Civil, devido a uma conduta exposta num talude nas Sentieiras. Nas Barreiras do Tejo, as equipas acompanharam a evolução da água desde as 5h da manhã, observando o aumento do nível do Tejo e as suas consequências.
A situação complicou-se a partir das 14h30, quando a água começou a entrar nos quintais. “Tivemos de ajudar as pessoas a retirar alguns bens, num comércio e também no ginásio. Dentro das habitações, neste momento, não há qualquer perigo. Estamos vigilantes e pedimos às pessoas para estarem atentas”, explicou o autarca, destacando a experiência dos moradores que vivem na primeira linha junto ao rio.




“Estas pessoas já têm convívio com o Tejo e lidam com a situação com alguma calma e sabedoria. Contudo, nos últimos 30 anos, não tivemos nenhum episódio idêntico a este. Para os novos moradores, é tudo novidade”, acrescentou.
A zona ribeirinha de Abrantes apresenta-se irreconhecível. No Aquapolis Norte, em Barreiras do Tejo, onde normalmente se cruzam moradores e visitantes, o cenário é dominado pela água. O caudal subiu de tal forma que submergiu o restaurante, o parque infantil e os recém-instalados campos de padel, transformando ruas e jardins em extensões do rio.






Patos e outras aves aquáticas adaptaram-se rapidamente ao novo ambiente, explorando áreas que até há poucos dias eram caminhos e calçadas. Muitos visitantes circulam pelo local, observando o fenómeno e fotografando o que agora parece um cenário sem memória recente.
O rio galgou as suas margens e entrou em estabelecimentos, revelando a vulnerabilidade das áreas ribeirinhas e a força da natureza diante da qual pouco se pode fazer. Alguns moradores recordam que cheias de grande dimensão já ocorreram no passado, mas o impacto atual é particularmente visível na transformação do espaço urbano.
João Marques reforçou que a população está alerta e que as equipas continuam a acompanhar a situação de perto. “As pessoas têm o meu contacto. Qualquer coisa, nós vamos, vem a Proteção Civil, estamos a acompanhar. Esperemos que a noite seja calma e nos permita descansar, porque os últimos dias têm sido muito complicados.”
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil ativou o Plano Especial de Emergência para Cheias na Bacia do Tejo em nível de alerta vermelho, o nível mais elevado, devido à rápida e intensa subida das águas, em resultado de descargas de barragens e precipitação persistente.
As autoridades estão a acompanhar de perto a evolução dos níveis do Tejo. O caudal, que durante a madrugada duplicou em poucas horas – com valores estimados acima de 7.400 m³/s – foi um dos fatores que motivou a ativação do alerta vermelho no distrito de Santarém.
A subida das águas levou ao encerramento temporário de várias estradas e ao corte de ligações rodoviárias em diferentes pontos do concelho, incluindo troços da EN118 e outros acessos entre Rossio ao Sul do Tejo e Pego. Nas zonas ribeirinhas, apenas residentes e veículos de socorro transitam em algumas das vias principais.
Devido à previsão de continuidade das inundações e às condições de circulação inseguras, as escolas da cidade estão encerradas na sexta‑feira, 6 de fevereiro.
As autoridades têm apelado à população ribeirinha para que desligue os quadros eléctricos nas habitações assim que a água começar a entrar, como medida cautelar, e que sigam as orientações de segurança emitidas pela Proteção Civil.






