Foto arquivo: ALTERNATIVAcom

O ALTERNATIVAcom acusa a existência em Abrantes de “um comportamento abusivo e persecutório” relativamente ao Movimento independente, o “desrespeito sistemático pelos direitos de oposição” e uma “estratégia de calúnias e ameaças políticas e pessoais”. Em reunião de executivo, o vereador Vasco Damas já havia abordado o tema, tendo afirmado que iria promover uma “reflexão pessoal” que poderia ter implicações políticas, ou seja, manter ou não a candidatura à Câmara de Abrantes nas autárquicas deste ano.

O ALTERNATIVAcom não indica no comunicado enviado às redações os responsáveis pelas referidas ações, embora arrogue para os independentes a realização de “uma efetiva oposição ao poder socialista instalado”.

No documento enviado às redações informa que o Núcleo Político do Movimento, reunido no último domingo em sessão semanal ordinária, “refletiu sobre a situação política e autárquica de Abrantes”, em ano de eleições autárquicas, tendo concluído que “intensificou-se um comportamento abusivo e persecutório relativamente ao Movimento ALTERNATIVAcom, a única força política de Abrantes que, agindo com elevação nos modos e profundidade nas ideias, faz uma efetiva oposição ao poder socialista instalado”.

Acrescentou que “ao desrespeito sistemático pelos direitos de oposição – denunciados em diversas ocasiões e por diferentes meios – junta-se agora uma nova estratégia de calúnias e ameaças políticas e pessoais, visando descredibilizar, dividir, intimidar, desmotivar e prejudicar os seus dirigentes. A bem da decência política e do bom nome dos órgãos autárquicos, estes ataques não deverão continuar a ser replicados. Do lado do Movimento ALTERNATIVAcom, assumimos o compromisso de contribuir para a elevação no debate de ideias”, lê-se no mesmo comunicado.

Lembra o Movimento ALTERNATIVAcom que “tem vindo a alertar repetidamente para uma degradação da vida política e autárquica em Abrantes, com a qual se pretende ocultar escândalos políticos (como a condenação do ex-autarca PS de Mouriscas) e decisões desastrosas (como a demolição do edifício histórico do Mercado)”.

“Fizemo-lo no comunicado de 21 de janeiro, na sessão de 28 de fevereiro da Assembleia Municipal e na última Reunião de Câmara de 3 de março. Nestes e noutros momentos, denunciámos os abusos de uma maioria absoluta que se comporta como poder absoluto, confundindo Estado com Partido e adulterando processos de decisão que se querem democráticos”, indica o Movimento, em comunicado.

Para aquela força política de cidadãos independentes “torna-se incompreensível e inaceitável, do ponto de vista democrático, haver quem prefira fazer oposição à oposição, em vez de se preocupar com a boa governação da autarquia, em benefício de Abrantes e dos abrantinos. Neste ponto, estamos de acordo, em política, não pode valer tudo”.

Por isso, considera que, “se as eleições autárquicas fossem realizadas nos meses mais próximos, não estariam reunidas as mínimas condições éticas e democráticas que garantissem um processo eleitoral íntegro, transparente e justo, com igualdade de oportunidades para todas as forças políticas concorrentes. A bem da democracia local, esta realidade terá de mudar com brevidade”, defende.

Enquanto “grupo de cidadãos eleitores”, o Movimento ALTERNATIVAcom sublinha emergir “da cidadania abrantina e só a esta presta contas. Os seus dirigentes e eleitos não vivem da política, nem precisam da política para viver. Uma eventual recandidatura autárquica do ALTERNATIVAcom terá de ser claramente desejada, proposta e apoiada pelos cidadãos, os quais têm a responsabilidade e o ónus de se manifestarem de forma expressiva nesse sentido. Com toda a humildade e disponibilidade para servir a comunidade, esperamos que tal aconteça”.

Não sendo o caso, o comunicado esclarece ainda que o Movimento “prosseguirá o seu ativismo cívico por outras formas e por outras vias, sempre na defesa dos interesses de Abrantes e dos abrantinos”.

Em reunião de executivo, o vereador Vasco Damas já havia abordado o tema, tendo afirmado que iria promover uma reflexão pessoal que poderia ter implicações políticas, ou seja, manter ou não a anunciada candidatura à Câmara de Abrantes nas autárquicas deste ano.

Reflexão pessoal com implicações políticas– Vasco Damas

“Em novembro de 2024 anunciei a minha candidatura às eleições autárquicas de 2025. Deixei, no entanto, o alerta que seria candidato se, entretanto, não houvesse nada que alterasse esta realidade, nomeadamente, a nível pessoal e profissional. Os episódios que se têm vindo a suceder desde o início deste ano têm-me feito refletir e questionar, porque é que eu estou aqui?”, declarou Vasco Damas, partilhando a sua reflexão.

Vasco Damas, líder do movimento ALTERNATIVAcom. Créditos: mediotejo.net

“Como disse numa intervenção no início do mandato, não vivo da política nem preciso da política para viver. Mas hoje tenho de ser pragmático e acrescentar, mas não posso permitir que ela me condicione ou me impeça de viver com normalidade. O que se passou na última Assembleia Municipal acelera a minha a reflexão e atualiza a minha pergunta, vale a pena estar aqui?”, questionou, tendo lembrado a génese do Movimento ALTERNATIVAcom.

“Quando estive na criação do Movimento ALTERNATIVAcom pretendia propor ideias e contribuir com elevação para uma discussão que contribuísse para o desenvolvimento da cidade e do concelho. Além do mais, estar na oposição confere a responsabilidade de escrutinar o trabalho de quem está no poder, sendo fundamental continuar a denunciar o que está errado, o que funciona à margem da lei e tudo aquilo que suscitar dúvidas ou que for eticamente questionável”, afirmou Vasco Damas, na reunião de executivo.

“Os últimos acontecimentos estão nos antípodas deste objetivo, tendo-se assistido a uma sucessão de ataques pessoais que não dignificam os intervenientes e que tira o foco daquilo que devia ser essencial: Abrantes e o seu desenvolvimento. Para isto, não estou disponível”, declarou.

“Estou aqui com elevado sacrifício pessoal e profissional, e o aumento das minhas exigências profissionais começam a retirar-me tempo para me dedicar a esta atividade. Para ilustrar o que acabo de afirmar, e à semelhança do que tem acontecido noutros momentos num passado recente, na passada sexta-feira tive que me ausentar antes do fim da Assembleia Municipal devido a compromissos profissionais”.

“Há momentos na vida em que temos de parar para refletir e tomar as decisões que se impõem, por mais difíceis que elas sejam, e enquanto líder do Movimento ALTERNATIVAcom tenho essa responsabilidade acrescida”, afirmou Vasco Damas.

“Sem faltas modéstias, reconheço a importância deste movimento, mas a toxicidade que se tem respirado deixa-me, neste momento, mais dúvidas do que certezas. Logo eu que sempre disse que desistir não era opção e que sempre acreditei na tática dos passos curtos”, declarou.

“Partilho esta reflexão pessoal com o objetivo de provocar reações coletivas,  porque, como escrevi ontem, Abrantes tem Alternativa mas terá a Alternativa que escolher”, concluiu o líder do ALTERNATIVAcom.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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