No sábado, dia 28 de julho, o projeto We Love MT – Médio Tejo, levou a cabo uma visita ao património industrial da Companhia União Fabril (CUF), em Alferrarede, Abrantes, com o objetivo de divulgar os recursos e o património existente na região do Médio Tejo.
Através de guias locais, o projeto We Love MT achou pertinente fazer uma visita ao património da CUF, uma vez que este detém bastante interesse e não está bem trabalhado. Embora o espaço (praticamente abandonado) da Companhia seja enorme, não existem espaços que possam ser visitados e conhecidos, no interior. No entanto, isso é algo que Sónia Pedro, pertencente ao projeto e guia da referida visita, considera ter de ser trabalhado e que acredita que vai ser viável daqui a algum tempo.
Do que os participantes puderam ver, o mais retumbante foi o abandono e consequente degradação do edificado patrimonial industrial na freguesia de Alferrarede, salvo algumas exceções, como o caso do espaço da antiga Quimigal, hoje transformado em Tecnópolo do Vale do Tejo, por exemplo.
O património da CUF era tão extenso que, basicamente, consistia numa aldeia dentro de Alferrarede – além dos edifícios fabris, tinha o seu próprio “quartel” de bombeiros, um bairro para os trabalhadores, uma escola para os filhos dos trabalhadores, uma cantina, um posto médico, três piscinas e um campo de futebol, entre outras instalações que permitiam aos trabalhadores viver “plenamente” sem precisarem de sair dos terrenos da CUF.
Entre o início e o final do século XX a CUF detinha um autêntico império industrial, com fábricas em Lisboa, Barreiro, Alferrarede, Soure, Canas de Senhorim e Mirandela empregando, na década de 30, cerca de 16 mil pessoas. A história de Alferrarede foi bastante marcada por este império que impulsionou a localidade de uma forma colossal.
Contando com mais afluência do que esperava, a guia Sónia Pedro revelou um “crescimento” em relação às visitas anteriores que já foram realizadas no âmbito do projeto, como uma visita à cidade de Abrantes, um passeio fotográfico, e uma visita pelo património da cortiça, sendo que “não é fácil ter muitos pessoas logo no início, tem de haver primeiro um trabalho de divulgação”, disse a antropóloga.
Para o futuro, estão planeadas mais visitas para dar a conhecer a região do Médio Tejo, como uma visita às vinhas, para se dar a conhecer e a provar os vinhos da região e como se fazem, além de toda a história ligada ao vinho. Outra visita prevista é, em vez de ser ligada ao vinho, fazer o mesmo, mas ligada ao azeite.
Sónia Pedro é da opinião que mesmo estando a região em crescimento, em termos turísticos, ainda não é um destino por excelência, considerando no entanto que a região do Médio Tejo detém bastante património e potencialidades: “se pensarmos, temos por exemplo, Tomar, com o Convento de Cristo e a história dos templários, o Castelo de Almourol, na Barquinha, a Barragem de Castelo de Bode, Constância, que é uma vila muito pitoresca, os comboios no Entroncamento, Mação e a arte rupestre”, entre outros, disse Sónia.
A antropóloga considera que é preciso, não obstante, empreender atividades que atraiam turistas para estes sítios e dinamizá-los, “não podemos esperar que as pessoas venham cá parar só porque sim, e, mesmo que venham, se depois não existirem atividades, estas acabam por ir embora mais depressa”, alertou a guia local.
