A empresa multimunicipal Águas do Ribatejo (AR) alertou para situações de burla que se estarão a verificar em alguns municípios do Médio Tejo e outros, relatando casos de clientes que “assinaram contratos que lhes custam milhares de euros com base em informações falsas e experiências manipuladas”.
Em comunicado, a AR refere que “vários indivíduos estão a fazer abordagens pessoais e por telefone aos clientes da Águas do Ribatejo alegando problemas na qualidade da água e propondo soluções de filtragem para garantir a qualidade do consumo”, tendo adiantado que os clientes que adquiriram os equipamentos e serviços “sentem-se enganados e alguns vão recorrer aos tribunais para suspender contratos que custam milhares de euros”.
A AR informa que não tem em curso qualquer estudo junto da população e garante que todos os seus colaboradores estão devidamente identificados. Em caso de dúvida, adverte, “deve contactar a AR ou a autoridade policial”.
Na mesma nota, a AR dá conta de relatos em que “os vendedores têm atuado essencialmente no concelho de Almeirim, mas já chegaram relatos de contactos nos concelhos de Alpiarça, Torres Novas e Benavente. As abordagens são feitas em espaços públicos e por telefone com recurso a números não identificados”.
Segundo a AR, “as estratégias comerciais, alegadamente, recorrem a dados falsos sobre a qualidade da água. Os vendedores fazem experiências com recurso a reagentes para alterar a tonalidade, sabor e aspeto da água e provocar o assentamento dos seus minerais, criando um cenário de medo entre os consumidores e potenciais compradores dos equipamentos de purificação”.
A AR garante no comunicado que a água que abastece os cerca de 150 mil consumidores dos concelhos de Almeirim, Alpiarça, Benavente, Coruche, Chamusca, Salvaterra de Magos e Torres Novas, é de boa qualidade e totalmente segura para consumo humano. “A convicção da AR assenta nas cerca de 10 mil análises realizadas anualmente segundo o Plano de Controlo de Qualidade da Água em curso”, observa, tendo referido ainda que a qualidade da água na região é reconhecida pela Entidade Reguladora (ERSAR), Direção Geral de Saúde e Autoridades Locais de Saúde, não havendo qualquer razão para desconfiança.
“Vários clientes que assinaram contratos com empresas que, alegadamente, garantem o tratamento da água para consumo em suas casas, consideram-se enganados quando percebem que para além da compra dos equipamentos estão sujeitos ao pagamento de mensalidades para alegada monitorização e controlo da qualidade da água e manutenção dos sistemas de purificação. Há contratos que custam milhares de euros aos clientes e alguns já procuraram ajuda junto da DECO e recorreram a advogados para tentar renunciar aos contratos.
Perante as suspeitas indiciadas nos métodos utilizados por algumas empresas vendedoras de sistemas de purificação da água, as autoridades competentes estão a investigar as denúncias de alguns consumidores e da AR junto do Ministério Público.
