Começou uma nova legislatura e começam os desplantes de alguns partidos que desataram de imediato a fazer tábua rasa dos últimos quatro anos. Ou melhor, esquecem o que não fizeram, porque alegadamente não estavam no Governo, mas reivindicam o que foi popular e positivo.
Curiosamente são os mesmos que culpam o Executivo PSD-CDS por tudo o que não conseguiram resolver nestes quatros anos, mas que rejeitam considerar a situação de 2011 e as condições em que PSD e CDS herdaram o país para justificarmos quaisquer dificuldades. São os habituais double standards da “Esquerda” portuguesa. Para umas coisas a austeridade acabou e foi isso que permitiu o crescimento, para outras coisas é preciso rigor orçamental porque as dificuldades ainda não acabaram. Em que ficamos afinal?
Depois de quatro anos sem resolver ou sequer atenuar a falta de funcionários das escolas, PCP e Bloco de Esquerda desatam a exigir isso ao governo socialista. Por sua vez, o cada mais menos credível Ministro da Educação comete a imbecilidade de responsabilizar as escolas por estes problemas revelando não só falta de noção como falta de carácter. Convém não esquecer que este governo não só não cumpriu o que prometeu face à contratação de assistentes, pois limitou-se renovar contratos e poucos acrescentou em número efectivo, como ainda reduziu o horário para as 35 horas agravando ainda mais o problema.
O mesmo acontece com os hospitais. Entre 2011 e 2015, apesar da austeridade, vi Catarina Martins e Jerónimo, e muitos socialistas, a fazer cordões à volta da MAC e à porta dos hospitais por causa da austeridade. Agora, apesar do propalado sucesso e do fim da austeridade, as maternidades fecham, as urgências fecham, as pessoas desesperam e durante quatro anos estes partidos cruzaram os braços e tentaram encobrir a situação. Passaram as eleições e aí estão eles de regresso como se tivessem vivido os últimos tempos em Marte. Tenham vergonha.
Depois de quatros anos a encobrir o Governo e a aprovar Orçamentos de Estado por tuta e meia, regressou a hipocrisia das portagens. Surgem agora Resoluções, proclamações e manifestações de intenções que em nada resolvem o assunto e que só induzem as populações em erro.
Mais recentemente surgiu mais um pedido de financiamento do Novo Banco a rondar os 100 milhões de euros. BE e PCP levantaram a voz mas foram coniventes e estiveram ao lado de Centeno e de António Costa quando estes venderam o Ex-BES a um fundo americano com uma garantia que permitia a estes continuar a responsabilizar o Estado pelas perdas. Quiseram vender por muito, para fazer um número político, mas em troca deram garantias inacreditáveis que todos já sabíamos iriam ser acionadas de imediato. Foi como vender um carro mas garantido que o compraríamos de volta, quatro anos depois, pelo mesmo preço. O PSD denunciou os termos deste contrato na altura certa mas ninguém quis ouvir. Agora pagamos todos a factura.
E é isto. Habituem-se. Vão ser mais uns anos de irresponsabilidade e falta de decoro.
