O caudal do rio Tejo voltou a subir durante a noite em Almourol e deverá atingir valores próximos dos 7.000 m³/s ao longo do dia de hoje, 12 de fevereiro, levando à manutenção do alerta vermelho e à recomendação de máxima vigilância para as próximas 48 horas.
As autoridades alertam que, embora não seja previsível com os dados obtidos às 9h00 da manhã, os valores de hoje podem aproximar-se dos máximos verificados na passada quinta-feira, 5 de fevereiro, com as maiores cheias na região nos últimos 30 anos, quando os valores atingiram os 8.600 m³/s.
Num ponto de situação às 9h00 da manhã, o comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo, David Lobato, explicou que as descargas conjuntas das três barragens a montante chegaram esta manhã aos 6.500 m³/s, valor que está progressivamente a refletir‑se na estação hidrométrica de Almourol. Às 7h00, o caudal ali medido era de 6.114,45 m³/s, um aumento significativo face aos 4.836,61 m³/s registados à mesma hora de ontem.
O presidente da Câmara de Abrantes e responsável distrital da Proteção Civil de Santarém, Manuel Jorge Valamatos, descreveu a situação como “de grande preocupação”, destacando que ribeiras, terrenos agrícolas e zonas ribeirinhas “estão muito cheios ou completamente inundados”.
A chuva persistente e a elevada saturação dos solos agravam o risco em toda a Lezíria do Tejo, já amplamente alagada. Na região do Médio Tejo, estão especialmente vulneráveis os concelhos de Abrantes, Constância, Mação e Vila Nova da Barquinha.
GALERIA | MANHÃ DE 12 DE FEVEREIRO EM ABRANTES, CONSTÂNCIA E VN BARQUINHA
Barragens a montante: Espanha em descargas desde ontem
- Valdecañas, a terceira maior barragem do Tejo (Espanha), abriu as comportas:
- Ontem estava a cerca de 97% da capacidade e continua a descarregar intensamente.
- As descargas fizeram sentir-se em Alcántara, cuja albufeira estava ontem nos 95%, e teve de intensificar também as descargas.
- A jusante destas barragens, todas as albufeiras se encontram praticamente sem capacidade, pelo que toda a água que entra tem de ser imediatamente descarregada.
- Castelo de Bode continua a receber mais do dobro da água que a que está a libertar. Ontem estava já nos 93% da capacidade.
- Contribuem ainda para a subida do Tejo os caudais do rio Nabão e do rio Almonda, e diversas ribeiras (como Ocreza e Rio de Moinhos) fortemente carregadas de escoamento.

Estradas cortadas
As cheias continuam a afetar a mobilidade na região, com várias vias submersas ou danificadas.
No concelho de Abrantes, estão atualmente encerradas ao trânsito:
- EN118 – entre Rossio ao Sul do Tejo e Tramagal (estrada do Celão intransitável)
- EN2 – entre a Rotunda do Olival e o cruzamento com a Av. Dr. Francisco Sá Carneiro (Av. do Ciclo), nos dois sentidos
- EN118 – entre Rossio ao Sul do Tejo e Pego (é possível circular com precaução pela Estrada do Serrado – Coalhos – e Cabrito)
- Estrada da Arrifana – entre a Alameda da Igreja de S. Miguel e S. Miguel do Rio Torto
As autoridades reforçam o apelo para que toda a sinalização e barreiras de segurança sejam respeitadas, destacando que “as restrições existem para proteger vidas e garantir o funcionamento dos meios de socorro”.
*em atualização
**Com Lusa








Exm-s
Nesta reportagem, da autoria de ambos; referem-se e com razão às zonas mais afectadas pelas cheias: Abrantes, Barquinha, Constância e Mação. E incluem muito natural e justamente as estradas cortadas: EN118, EN2, Estrada da Arrifana, …e curiosamente não se referem à EN359 cortada, pelo Rio Tejo, há muito tempo e de que a Exma Patrícia tem conhecimento.
A EN359 presentemente dispensa o efeito das cheias para ser afectada e é mais do que altura de ser reactivada. É tempo de considerarem que o concelho de Mação não termina nas Mouriscas ou na Ortiga mas prossegue até Barca d’Amieira – S. José das Matas onde há muito que contar.