Grupo fechou o dia de Reis na Câmara de Alcanena. FOTO: mediotejo.net

O Rancho Folclórico do Covão do Coelho, freguesia de Minde, seguiu uma tradição de muitos grupos de cantares espalhados pelo país e desde dia 26 de dezembro a 6 de janeiro percorreu a sua freguesia cantando os “Reis” ou, como também é conhecido, as “Janeiras”. O grupo encerrou esta sexta-feira, dia 6, uma tarde dedicada à data na Câmara de Alcanena, com vários grupos a irem cantar as “Boas Festas” aos serviços municipais (pode ver o vídeo aqui).

Era uma tradição dos pobres, explica ao mediotejo.net Filipe Vieira, diretor do Rancho Folclórico do Covão do Coelho. Na época das Festas iam de porta em porta cantando, pedindo esmola aos mais ricos. Quando chegou ao Rancho, há 25 anos, esta tradição mantinha-se, já não a pedir esmola, mas a cantar de porta em porta a chegada dos Reis. Quem o desejar continua a poder dar um contributo, que vai para a associação, este ano a celebrar os seus 50 anos.

“Começamos sempre no Covão do Coelho”, explica Filipe Vieira, no dia após o Natal. Seguem depois para o Vale Alto e a zona norte da freguesia de Minde. O tempo é escasso, são algumas horas, das 19h às 21h30, em que batem a algumas portas e cantam para todos. Por vezes são convidados a comer e a beber. Na tarde de sexta-feira esperava-os bolo rei e licor na Câmara de Alcanena.

A tradição, no entanto, já exige outras precauções. Os archotes foram trocados por lamparinas. Para se identificaram mandaram fazer mantas de Minde, que levam ao corpo e aquecem neste tempo frio de inverno. “Hoje as pessoas estão mais desconfiadas” e o grupo foi-se apercebendo ao longo dos anos que muitas se assustavam com a presença de um conjunto de pessoas a bater às portas, admite Filipe Vieira. Assim são facilmente identificados.

O grupo de cantares é ainda uma forma de atrair os mais novos para o Rancho, que neste momento conta com cerca de duas dezenas de elementos abaixo dos 18 anos. No total possui 60 membros. Para além das Janeiras, também têm por tradição cantar pelas almas na sexta-feira santa, um grupo composto só por homens, e participam na Via-Sacra.

Cantar as Janeiras é “uma paródia, um convívio. O grupo vai-se rindo, soltam-se. Quem corre por gosto não cansa”, refere Filipe Vieira. Terminadas as Boas Festas em Alcanena, seguiriam para Minde, onde os esperava o pároco para novo momento musical. Sábado e domingo estarão presentes nas missas de Vale Alto e Minde.

Nos Paços do Concelho, a presidente Fernanda Asseiceira agradeceu a presença do Rancho Folclórico. “É com gosto que vemos esta animação cultural no concelho”, mantendo vivas as tradições. “Acredito que este momento não exista em muitas câmaras da região, mas existe em Alcanena”, terminou.

Além do Rancho do Covão do Coelho, durante a tarde estiveram a cantar aos serviços municipais o Grupo de Cantares da Fonte da Bica (Malhou) e a Robustuna Afonsina (Casais Robustos).

Cláudia Gameiro

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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