Na reunião camarária de Alcanena de segunda-feira, 15 de março, aprovou-se a designação de um novo representante do município para a Assembleia Geral da AQUANENA – Empresa Municipal de Águas e Saneamento. Na discussão, a vereadora Maria João Rodolfo (Cidadãos por Alcanena) constatou que o organismo, a quem compete fiscalizar a direção, só tem um elemento, o que o torna irrelevante.
A designação de um novo representante deveu-se à renúncia de mandato de Maria João Gomez (PS), que ocupava o cargo. Na reunião de segunda-feira votou-se a escolha do vereador Luís Pires (PS) para ocupar o cargo, tendo este sido aprovado pela maioria socialista.
“Não conseguimos compreender como uma assembleia composta por um elemento, seja qual for a sua capacitação profissional, não consideramos que um elemento consiga ter as condições para tomar nas suas competências” todo o trabalho de análise e apreciação das decisões do conselho de administração, referiu Maria João Rodolfo. Além do que, constatou ainda, esse mesmo conselho é encabeçado pela presidente da Câmara, Fernanda Asseiceira, sendo o vice-presidente, Hugo Santarém (PS), o vogal.
Maria João Rodolfo frisou que a sua posição nada tinha a ver com a pessoa escolhida, mas com os estatutos, que considerou “aberrantes, uma coisa completamente distorcida”. Os Cidadãos por Alcanena votariam assim contra.
A presidir a sessão, Luís Pires considerou que a vereadora não tinha quaisquer motivos para fazer tais afirmações. Maria João Rodolfo reiterou que não estava em causa a competência da pessoa escolhida, apenas que é “humanamente impossível” uma única pessoa ter distanciamento em relação às decisões tomadas por uma direção que é composta pelo próprio executivo municipal.
“É um engodo e um faz de conta”, concluiu, constatando a importância da função e respetiva complexidade da empresa, que acaba por se resumir a reuniões de “30 a 40 minutos”. “É uma aberração”, frisou, face à contestação de Luís Pires, que sublinhou que estavam a ser cumpridos os estatutos aprovados.
Fernanda Asseiceira e Hugo Santarém retiraram-se da discussão e votação por incompatibilidade de funções. A reunião decorreu em videoconferência.
