Diz que a tratam por “Teresinha” e, apesar da timidez com que vai respondendo às questões, tem um sorriso de encher uma sala. Quando crescer, reflete, quer ser vendedora, bailarina e pintora. Gosta muita de pintar e de vender coisas, explica.
A terminar o 3º ano na Escola Básica de 1º ciclo de Alcanena, Maria Teresa Matos, 9 anos, conseguiu distinguir-se entre milhares de crianças de todo o país e conquistou o 3º lugar no concurso da editorial Caminho “Uma Aventura… Literária 2019”, galardão associado à série de livros infanto-juvenis “Uma Aventura”, tendo estado na segunda-feira, 3 de junho, na Feira do Livro de Lisboa para receber o prémio das mãos da escritora Isabel Alçada.
Tendo concorrido na modalidade de “Escrita Livre”, tal como outros colegas da sua turma, a jovem desenvolveu um texto em que abordou os valores da amizade, da empatia e da solidariedade. Para a professora, Anabela Vieira, e para o pai, Miguel Matos, a narrativa é demonstrativa da própria personalidade de Maria Teresa, uma criança bondosa que não gosta de observar atitudes menos corretas entre colegas.
A iniciativa partiu da dinâmica da sala de aula, após Anabela Vieira ter pedido à turma do 3ºAE que escrevesse um texto livre em torno do poema “O Sapo Verde”, que integra o programa curricular do manual de Língua Portuguesa. A premissa da história gira em torno de um sapo que pergunta à Terra porque não tem amigos. O desenvolvimento da narrativa ficou a cargo de cada aluno.
Teresa escreveu uma história ao exemplo de si própria, salientam a professora e o pai. Em “Os sentimentos do sapo”, a Terra diz-lhe que ele não tem amigos por ser “um pouco mau”, explica a jovem. Face a esta realidade, o sapo resolve tentar melhorar-se enquanto pessoa, ser mais amigo dos outros, “mais simpático”. No final, Teresa concedeu ao sapo verde um final feliz: arranjou amigos.

“Esta parte toca-lhe muito”, explica Anabela Vieira, “a solidariedade, o estar sempre pronta a ouvir os outros” e ajudar, “tem muito a voz da consciência”. A mesma observação é partilhada pelo pai, que salienta o perfil bondoso e amigo de Teresa. “É uma pessoa muito responsável, uma boa menina”, afirma, “acorda a pensar no que tem para fazer. Muito interessada. Não me lembro de fazer uma birra”.
Já em 2018 a turma do atual 3ºAE tinha ganho um prémio neste concurso, mas de forma coletiva. O 3º lugar de Teresa na modalide de “Escrita livre” foi por tal um orgulho tanto para a docente quanto para o progenitor, este último admitindo-se surpreendido. “Fiquei muito contente, não estava à espera. A Teresa tem muito jeito nesta parte das artes. Fiquei muito orgulhoso e foi ótimo para a motivação dela, que é importante”, reflete.
Na segunda-feira, pai e filha foram a Lisboa receber o prémio e depararam-se com um elevado número de crianças, algumas com origem em Macau ou Cabo Verde. Segundo referem ao mediotejo.net, foi uma das edições mais concorridas do concurso, com 15 mil candidaturas. Esta particularidade torna o 3º lugar de Teresa ainda mais significativo, uma vez que conseguiu destacar-se entre tantos concorrentes. A jovem recebeu cheques-livro e um diploma, tendo adquirido logo na Feira alguns exemplares da série “Uma Aventura”.
“Eram muitos livros e muitos meninos”, comenta apenas Teresa, ao recordar o episódio. Ainda tentaram obter um autógrafo de Isabel Alçada, mas a fila era de tal ordem que acabaram por desistir.
Ficou a aventura e uma lição para a vida: que os valores da amizade e da solidariedade também trazem recompensas.
