Reunião do executivo camarário de Alcanena. Foto: mediotejo.net

Foi a propósito dos preços energéticos “proibitivos” – conforme apelidou Nuno Silva, vereador da Câmara Municipal de Alcanena, detentor do pelouro do Ambiente e Energia – que estão a assolar a Aquanena, bem como a generalidade das empresas, que Rui Anastácio, presidente da autarquia, aproveitou para fazer algumas considerações relativamente ao tema. O autarca considera que os elevados custos energéticos que estão a afetar as empresas do país devem-se a decisões “irresponsáveis” do Governo, como o fecho da Central do Pego, tendo feito notar que a repartição do Fundo de Transição Energética com a região Litoral-Centro é “injusta” e o processo “escandaloso”.

O vereador Nuno Silva (Cidadãos por Alcanena) deu conta na reunião de Câmara Municipal de que, de início, era expectável um custo energético para a Aquanena (Empresa Municipal de Águas e Saneamento de Alcanena) de 800 mil euros – pelo que foi contemplado, em termos de orçamento, um milhão de euros para o efeito – mas que de momento a perspetiva já é de o custo energético ascender aos dois milhões de euros.

Rui Anastácio (Cidadãos por Alcanena) aproveitou a deixa para dizer que o problema não é ser só a Aquanena mas sim “as empresas todas deste país”.

“Todas as empresas estão a sofrer com estes custos de uma maneira atroz e eu acho – e os próximos tempos o dirão – que isso tem a ver com decisões, a meu ver, absolutamente irresponsáveis do atual Governo no que toca, desde logo, ao fecho do Pego. Eu acho que é irresponsabilidade aquilo que se anda a passar. A forma como a energia tem disparado neste país, numa economia como a nossa, que é débil, vai por em causa muita coisa”, disse o presidente da autarquia.

O líder do município alcanenense afirmou ainda não conseguir compreender, o porquê da repartição do Fundo de Transição Justa. Segundo o autarca, o fecho da Central do Pego seria compensada com 90 milhões de euros, através do referido fundo, mas a região do Médio Tejo vai ficar com 45 milhões, “como se o Médio Tejo não tivesse capacidade de gastar esses 90 milhões”, disse.

ÁUDIO | Rui Anastácio, presidente da Câmara Municipal de Alcanena

“É uma situação absolutamente impensável, quando olhamos para o PIB do Médio Tejo e para o PIB do Litoral-Centro, que é absolutamente incomparável. Aliás, os dinheiros de fundos de apoio à economia foram 5 ou 10 vezes mais para lá do que para cá, porque há lá uma economia pujante com capacidade de beber esse dinheiro, mas estamos a falar de libertar 45 milhões para a economia do Litoral-Centro como se nós não tivéssemos aqui um PIB desgraçado e a precisar de investimento como pão para a boca, e depois do fecho da Central do Pego, esse problema ainda se acentua mais”, disse ainda o autarca.

Considerando que a situação é “uma tremenda injustiça”, Rui Anastácio diz que, havendo por vezes falta de solidariedade, agora há solidariedade a mais: “esse dinheiro era para ficar aqui no Médio Tejo, não tem que ir metade do Fundo de Transição Justa – não tem, nem deve ir – para o Litoral Centro. E eu não me vou calar com esta situação, acho escandaloso o que se está a passar”, referiu.

“E eu não estou a defender Alcanena, estou a defender o Médio Tejo, mas sobretudo estou a defender algum equilíbrio neste país, sob pena de isto equilibrar de vez para o litoral”, concluiu o autarca.

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Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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