Cine-Teatro São Pedro, em Alcanena. Foto arquivo: mediotejo.net

Depois da questão levantada pelo vereador José Luís Ramos (PS), a vereadora com o pelouro da cultura, Marlene Carvalho (Cidadãos por Alcanena) explicou que realmente têm sido identificadas algumas sessões no Cine-Teatro São Pedro em que não há tanta adesão do público, pelo que se tem tentado corrigir e melhorar algumas ações nesse sentido, nomeadamente através da modificação do formato da agenda, de modo a esta ser mais apelativa, ou da retoma da distribuição de flyers por todos os estabelecimentos de comércio e restauração no concelho:

“Fizemos isso até ao mês de agosto, em setembro não retomámos e (…) reparámos que era urgente retomar essa distribuição, e que devemos fazer aqui também um reajuste no horário de alguns colaboradores para poderem ter essa disponibilidade para andar pelas freguesias a distribuir esse material. Temos sempre a colaboração das juntas de freguesia mas nem sempre a distribuição acontece no tempo de antecedência suficiente para fazer eco da programação que temos, e por isso neste momento temos também um colaborador que reforça essa divulgação com a nossa técnica de turismo, que pontualmente também vai para fazer a mediação”, explicou a edil.

Segundo Marlene Carvalho, a programação que é mais popular tem sempre adesão, referindo como exemplo a transmissão do filme Avatar, pelo que “a pedagogia que temos de fazer é trabalhar a outra parte da literacia cultural, que também tem sido o nosso foco”.

“É muito importante, e tem sido feita essa reflexão, de equilibrarmos quer uma programação que chame as massas, para reavivar esse hábito de utilização, para depois equilibrarmos com programação com foco mais específico, mais apurado, e que contribuiu para essa literacia que nós queremos que exista. Portanto é um trabalho que estamos a fazer, isso consegue-se muito por via dos filmes ou também estamos a fazer alguma pesquisa relativamente às revistas portuguesas, que nós sabemos que são espetáculos importantes para criar esse laço e essa empatia”, explicou a eleita pelo Cidadãos por Alcanena.

A edil adiantou também que se pretende retomar a realização dos espetáculos descentralizados, os quais se percebeu durante o ano transato que “são mesmo muito importantes”, bem como realizar apontamentos culturais em alguns eventos de caráter desportivo e lúdico, de modo a fazer-se uma “ligação” à programação mais centralizada no Cine-Teatro.

“Mas sim, é um trabalho em contínuo e temos consciência que há sessões com menos pessoas, e temos de perceber se é o tema, se foi a divulgação em particular, o que é que fez com que aquele espetáculo tivesse menos ou mais pessoas, temos feito esse trabalho”, acrescentou Marlene Carvalho, fazendo ainda menção a uma “muita antecipação” que tem de ser treinada.

Relativamente ao frio sentido no local, tal como foi apontado pelos vereadores afetos ao Partido Socialista, Rui Anastácio (Cidadãos por Alcanena) afirmou que o município tem vários sistemas de aquecimento, ventilação e ar condicionado (AVAC) avariados, exemplificando com o próprio edifício da Câmara Municipal, onde o sistema só funciona numa das alas do edifício.

Referindo que estes são sistemas de AVAC que estão em “fim de vida”, Rui Anastácio adiantou que um milhão de euros não chega para renovar estes sistemas nas duas piscinas e os edifícios do Cine-Teatro e Biblioteca Municipal.

“Demos prioridade às piscinas dos pontos de vista de projeto e de revisão de projeto porque estamos na iminência de poder ter aí no próximo quadro algum envelope financeiro para isso, no que toca à eficiência energética, e portanto demos prioridade a isso. Já os projetos quer para aqui quer para o Cine-Teatro e penso que para a Biblioteca – ao qual nós não demos no primeiro ano prioridade, porque isto tem de ser por prioridades – mas uma coisa é ter o projeto na mão para lançar para concurso ou para tentar enquadrar em alguma candidatura, outra coisa é conseguirmos dinheiro para fazer”, explicou o líder do município alcanenense.

“E nós vamos ter de esperar pelo Portugal 2030 para este tipo de intervenções, algumas delas pelo menos, agora reconhecemos a necessidade, quer no verão quer no inverno, mas se calhar sobretudo no inverno (…) e obviamente que isso também afasta pessoas da sala (…) temos noção desse problema e da necessidade de o resolver, o problema é que para o resolver é preciso dinheiro”, concluiu Rui Anastácio.

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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