A discussão foi lançada pela CDU: a modificação do nome de Museu do Curtume para Museu da Arte e da Indústria do Couro terá como objetivo implícito tornar o espaço uma galeria de arte privada, recebendo o espólio do ArtSpace João de Carvalho. Na Assembleia Municipal de sexta-feira, 10 de setembro, a presidente Fernanda Asseiceira (PS) negou veementemente esta leitura dos comunistas, frisando que o objetivo do novo programa do espaço é diametralmente oposto.
A questão foi colocada por Ivo Santos (CDU) que pediu esclarecimentos à presidente sobre a alteração de designação do Museu do Curtume, aprovada na reunião camarária de 6 de setembro. Fernanda Asseiceira explicou que o espaço tem neste momento uma equipa afeta ao mesmo, que já desenhou um plano de dinamização e conteúdos, tendo surgido assim o nome Museu da Arte e da Indústria do Couro.
Sobre a questão da “arte”, explicou, prevê-se que haja uma articulação com outras instituições do concelho, nomeadamente o ArtSpace João de Carvalho.
Face às explicações da presidente, Ivo Santos argumentou que o Museu detém o espólio do Sindicato dos Curtumes e não há informação sobre o destino do mesmo. Considerou assim que o equipamento está a perder o seu sentido original e vai tornar-se numa galeria de arte.
A presidente tornou a responder, comentando que o deputado não estava a compreender o sentido do projeto delineado para o Museu e que a informação votada em reunião lhe seria enviada.
O tema voltaria à discussão alguns tópicos depois, com Fernanda Asseiceira a reiterar que Ivo Santos estava a interpretar erradamente o sentido das suas palavras e que a natureza da articulação entre o museu e o ArtSpace em nada se conjugava com a transformação do mesmo numa galeria de arte. A indústria do couro, constatou, é ela própria uma arte, sendo nesse sentido a mudança do nome do Museu.
A mudança do nome do Museu foi aprovada a 6 de setembro, dando-se assim mais um passo na consolidação de um projeto que se tem arrastado no tempo por falta de recursos humanos e financeiros. O edifício do Museu do Curtume está concluído desde 2008, em resultado da requalificação de 1,7 milhões, com fundos europeus, de um edifício histórico de Alcanena, mas nunca chegou a abrir ao público na sua essência de núcleo museológico.
Atualmente, conforme explicou Fernanda Asseiceira ao mediotejo.net, o Museu tem finalmente um equipa a trabalhar no seu desenvolvimento a tempo inteiro e delineou as linhas orientadoras do projeto.
A ideia é que este Museu da Arte e da Indústria do Couro possa ter disponíveis vários conteúdos multiplataforma, da vertente artística à componente didática, apresentando-se as diferentes fases, da origem ao produto final, da indústria do couro, valorizando-se assim o setor e criando uma rede com o Centro de Ciência Viva do Alviela.

