Trata-se de um documento que triplica o valor do primeiro orçamento apresentado por este executivo, sendo o segundo maior orçamento na região do Médio Tejo, apenas superado pelo orçamento do concelho de Ourém. Para além do “forte investimento” em habitação, o executivo municipal sublinha investimentos ao nível ambiental que superam os 7 ME, os apoios dados às famílias do concelho e ao nível da regeneração urbana.
Numa sessão destinada à apresentação do Orçamento de Alcanena para 2025, o presidente da autarquia frisou que os números revelam “um enorme desafio pela frente”, cuja execução representa um “exercício de grande ambição (…), que só poderá ser implementado se conseguirmos perceber que teremos todos que remar no mesmo sentido”.
É também um exercício “exigente”, uma vez que com a mesma estrutura, a CMA terá de executar “muito mais”, tendo o autarca agradecido pela “enorme dedicação” dos funcionários do município.
A sessão decorreu no antigo quartel da Guarda Nacional Republicana de Alcanena, um sítio “simbólico”, afirma o edil, dado que se trata do primeiro projeto de habitação a custos acessíveis deste executivo, que procedeu à reabilitação do espaço e o transformou em fogos habitacionais.
A habitação é um dos grandes pilares deste orçamento, com uma verba alocada de 28 ME, o que torna Alcanena no município com o maio investimento per capita em habitação. São 37 projetos, estando três obras em curso e aguardando-se o início de 34 em 2025, traduzindo-se num apoio a 315 famílias.


O autarca disse que cerca 80% das habitações são destinadas a jovens casais, com o objetivo de que estes “se fixem ou regressem a casa”, contribuindo para o tecido social e económico, tendo feito notar uma quebra populacional na ordem dos 10% na última década no que representa “um desafio enorme”.
Rui Anastácio destaca também a “aposta na economia”, afirmando que se aguarda, no primeiro trimestre de 2025, o lançamento do concurso para os primeiros 40 hectares do Parque Empresarial. “Tem uma localização de excelência e nesse parque vamos investir entre 7 e 8 milhões de euros, na primeira fase”.
“Nesses 40 hectares não estamos virados para a logística, embora a localização tenha apetência para tal, estamos virados para a indústria de ponta, com forte input de tecnologia, que exija e que necessite de mão de obra altamente qualificada. Acreditamos que é isso que ajuda a fixar os nossos jovens, a trazer jovens para o território, a criar massa crítica no território e é assim que os territórios que se desenvolvem”, afirma.
O documento apresentado integra ainda uma rubrica para o “talento, inovação, empreendedorismo e investimento” superior a 4 ME. Entre os principais pontos, destaca-se a “parceria estratégica” com a Universidade Nova de Lisboa para a criação da “u.me Alcanena”, o investimento no Parque Empresarial de Alcanena, Espinheiro Green Lab e na Startup Alcanena – Nersant e T3AR – Startup Leiria.
Rui Anastácio sublinhou também a transferência de competências para as Juntas de Freguesia, dando-lhes “instrumentos para poderem trabalhar”, com uma verba superior a 630 mil euros.

Ao nível da ação social, o executivo de Alcanena sublinha o aumento do número de vagas na creche de Bugalhos que passou de 150 vagas para 325 e que reflete o esforço do executivo para colocar um travão ao processo de desertificação que Alcanena sofreu entre os Censos de 2011 e 2021, com uma perda de 10% da população.
O documento apresentado integra ainda investimentos ao nível da ação social escolar e do apoio a estudantes do ensino superior, na reabilitação da rede de parques infantis do concelho e ainda na integração de migrantes.
A “proximidade ao tecido associativo” traduz-se num investimento que supera os 500 mil euros, com “preocupações” ao nível das IPSS, investimentos, atividade regular, grandes eventos, numa “forma de estar próxima e de acarinhar aqueles que de uma forma totalmente voluntariosa, estão ao serviço das nossas comunidades”.
Ao nível dos equipamentos municipais, o investimento do executivo supera os quatro milhões nos edifícios escolares, dois milhões em centros de saúde e mais de um milhão de euros destinados a investimento nas piscinas municipais.
Rui Anastácio sublinhou ainda o investimento em proteção civil e no domínio ambiental, que supera os 7ME, ao nível da ETAR, do aterro e do investimento na rede de águas do Espinheiro e da rede pluvial de Minde.
Para além dos 4ME em regeneração urbana, dos mais de 500 mil euros em modernização administrativa, o executivo destina uma verba superior a três milhões de euros em “identidade e cultura”, reiterando o “respeito pelo passado” com o Museu e Arquivo Municipal de Alcanena, Fábrica de Cultura de Minde, projeto “Crescer Próximo”, Rede de Cineteatros RTCP e grandes eventos.
