As queixas são as de sempre. Maus odores intensos, agora, em especial, ao início da manhã e ao final do dia. É certo que, sem comparação possível a outros tempos, mas com influência direta na vida dos munícipes. O assunto foi levantado na reunião de Câmara de Alcanena, na segunda-feira, pelos vereadores da oposição (PS) e corroborada pelo presidente da Câmara, Rui Anastácio (Cidadãos por Alcanena), que dá razão às queixas dos munícipes e atribui parte da culpa às alterações atmosféricas. Ainda assim, o autarca assegurou que a Câmara está atenta ao que se passa na ETAR e nas empresas do concelho.
“Eu sou uma das privilegiadas com os maus odores. Nas últimas semanas, os estores voltaram a ficar pretos, as plantas queimadas, e a roupa, não a podemos deixar estendida, que se entranha aquele cheiro. Percebe-se que o problema se intensificou do lado da ETAR”, testemunhou a vereadora Lucília Lopes (PS).
Confrontado com a declaração da vereadora socialista, o vereador com o pelouro do Ambiente na Câmara Municipal de Alcanena (CMA), Nuno Silva (PSD/CDS/MPT), que preside ao conselho de administração da empresa municipal Aquanena, explicou que o problema da intensificação dos odores no centro do concelho, pode estar relacionado com as “mudanças de temperaturas repentinas” que se têm registado e informou que estão a ser feitas vistorias às empresas.
“Estamos a fiscalizar e vamos controlar, porque não queremos que os maus cheiros regressem a Alcanena como acontecia há uns anos”, afirmou.

Por sua vez, Rui Anastácio, deu razão às queixas dos munícipes em relação aos maus cheiros que se fazem sentir em Alcanena e garantiu que a Câmara está a fazer tudo o que está ao seu alcance para minorar o problema, que não está de todo resolvido e exige investimentos avultados.
“Há queixas e as pessoas têm toda a razão para se queixarem. De mim, nunca ouvirão outras palavras. Estamos a trabalhar neste assunto e temos um conjunto de investimentos em marcha, que visam ajudar a controlar esses odores, resultantes quer das fábricas, quer do próprio sistema. Sabemos que, quando há estes períodos de inversão térmica, dias solarengos e noites muito frias, isto tende a ocorrer”, disse o presidente, confirmando ao mediotejo.net que “a ETAR tem estado a laborar normalmente e dentro dos parâmetros normais”.
No entanto, Rui Anastácio confirma que o problema “ainda acontece e não tão ocasionalmente como se gostaria”.
“É um problema que se arrasta há 40 anos em Alcanena. Temos um plano de investimentos, que em parte está estabelecido para ajudar a minimizar este tipo de problemas. O que é verdade, é que não os conseguimos erradicar. É um caminho que se faz caminhando e da minha parte nunca se ouviram promessas de soluções. Porque a solução não é fácil. Se fosse, já tinha sido atingida. Mas, estamos empenhados, atentos e solidários com as queixas das populações, que são mais do que legítimas”.
O autarca disse ainda que a Câmara tem encetado contactos com a indústria, em especial, duas fábricas instaladas no centro de Alcanena, (“que fazem a curtimenta a partir do couro em cabelo e que tem uma fase de sulfetos, que libertam um conjunto de odores”), com o intuito de tentar a sua relocalização fora do tecido urbano. Se bem que não sejam essas as situações mais preocupantes.
“Esses são odores desagradáveis e intensos, mas mais transitórios. Agora, os problemas durante a noite, quando se criam capas de neblina que não permitem a dispersão dos odores da própria ETAR, acabam por criar este ambiente extremamente desagradável nas suas zonas mais limítrofes. Estamos a intervir na ETAR, no sentido de minimizar os cheiros, mas há ali um conjunto de órgãos emissores… e estamos a atuar naqueles que nos parecem mais problemáticos e que estão identificados há muito tempo”, referiu Rui Anastácio, adiantando que está em vista “um investimento para lançar a concurso”, na ordem de “alguns milhões” para o qual está a aguardar “enquadramento financeiro”.
“É um problema que vamos tentando gerir da melhor maneira. Mas, muitas vezes, o cheiro torna-se insuportável e lamentamos profundamente que isso aconteça”, notou o presidente da autarquia de Alcanena.

Este Sr. Presidente deve de vir de outra Galaxia.
40 anos? fale por si sr. presidente, que deve ser +/- a sua idade, que eu me lembre, sempre foi assim, e já por cá ando desde 1946. Pelo que calculo o sr. já não deve ser do tempo em que o Rio Aviela era a um esgoto a céu aberto, em que, Filhós, Louriceira, Vaqueiros, Pernes e muitas outras terras, era uma verdadeira desgraça lá viverem. Efectivamente, houve alguma melhoria no Rio Alviela, mas quanto aos cheiros? sempre foi assim. Aliás, não é por acaso, que, Alcanena é conhecida por ser a terra do cheira mal, isto para não fazer referência a outros nomes, menos bonitos, que lhes são atribuídos. Sei que, a anterior gestão do Município, lutou e muito para eliminar, tais odores, mas também se foi sabendo que, certos poderes económicos sempre estiveram contra, as razões, não devem ser difíceis de saber. Agora é a vez da presente gestão do Município mostrar ser melhor que a anterior. Se o conseguir cá estarei para a elogiar. Mas tenho muitas dúvidas que o consiga. As razões que me levam a ter tal pressentimento, guardo-as só para mim.