O tema dos maus cheiros voltou à assembleia municipal de Alcanena, na noite de sexta-feira, 8 de setembro. Segundo a AUSTRA – Associação de Utilizadores do Sistema de Tratamento de Águas Residuais de Alcanena não há problemas na ETAR, mas o cheiro que se fez sentir na noite de quarta para quinta-feira não deixou ninguém indiferente. A questão partiria da bancada da CDU: terá que chegar o dia em que se tem que questionar até que ponto compensa ter a indústria de curtumes no concelho.
O relatória do AUSTRA era o último ponto da ordem de trabalhos e mereceu debate entre toda a assembleia, uma vez que, segundo foi mencionado pelos deputados, não registava qualquer problema na ETAR, indicando que os equipamentos estavam a funcionar bem e que o mau cheiro poderia resultar do regresso das fábricas ao trabalho depois do período de férias. Referia também que os cheiros se poderiam intensificar com a chegada do outono.
As primeiras questões sobre algumas das alíneas do relatório, procedimentos e técnicas de diminuição de odores foram colocadas pela deputada Maria João Rodolfo (ICA), que viria a considerar o relatório “um pouco pobre” e a informação muito “lata”. Da bancada do ICA partiria também o comentário que se a AUSTRA não consegue explicar o porquê dos maus cheiros, talvez não seja a entidade indicada para trabalhar com o município.
Da bancada da CDU foi Suzel Frazão a lembrar a noite de quarta para quinta-feira (6/7 setembro) onde os maus cheiros atingiram grande intensidade. A deputada manifestou preocupação com a situação ambiental do concelho, que tem afetado a sua atratividade.
Foi o colega Ricardo Nogueira (CDU) que acabaria por fazer a observação que suscitaria a meia hora seguinte de debate: terá que chegar uma altura de questionar quais são de facto as mais valias de ter a indústria dos curtumes no concelho. O presidente da mesa da assembleia, Silvestre Pereira, argumentaria que essa era uma questão que teria “que ser respondida pelos munícipes”.
Durante o debate, porém, lembrou-se que o emprego gerado no concelho está maioritariamente ligado, direta ou indiretamente, à indústria de curtumes. Joaquim Gomes (PS) mencionaria já no fim da sessão que a continuidade deste setor no município vai ser afetada inevitavelmente pelas alterações climáticas, uma vez que os curtumes dependem da abundância de água que existia no concelho e que agora começa a ter que ser captada cada vez mais fundo.
A presidente da Câmara, Fernanda Asseiceira, fez várias intervenções à medida que o debate se foi desenrolando. Sobre os maus cheiros comentaria que esteve de madrugada junto à ETAR para tentar perceber o que estaria a provocar aquela intensidade, mas que da AUSTRA lhe dizem estar tudo a funcionar bem. Admitia assim “surpresa” por depois de um investimento de 6 milhões na requalificação da rede de coletores o concelho estar a passar novamente por este problema.
“Tem que ser compatível” o desenvolvimento do concelho, a questão ambiental e a qualidade de vida das pessoa, frisou a autarca, e a causa dos maus cheiros tem que ser encontrada. Sublinharia assim que a questão ambiental é o tema que mais a preocupa.
Sobre as mais valias da indústria de curtumes, a presidente defenderia que se deve procurar a “diversificação” do mercado. Adiantaria assim que há dois pedidos para instalar centrais solares no concelho.
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Surpreendente, depois de gastos cerca de 20 milhões com comparticipação comunitária para resolver o problema , projectos de uma década …. que convenceram toda a gente .. e agora ? mais 20 milhões ?