A Comandante do Posto da GNR de Alcanena, Patrícia Fernandes, fez esta quarta-feira, 11 de abril, um retrato da violência doméstica no concelho nos últimos quatro anos. Segundo a responsável, 77% dos crimes são contra um cônjuge, mas também existe um elevado número de casos de violência contra idosos (25%). Quanto à violência infantil esta contempla apenas 3% dos processos.
A intervir na conferência “Equipas Municipais de Intervenção na Violência – Constrangimentos e Desafios”, no âmbito do 9º Fórum de Recursos Sociais de Alcanena, a Comandante Patrícia Fernandes começou por evidenciar que muitas vezes se delega simplesmente nas forças de segurança a resolução dos problemas de violência doméstica. Sendo um crime público, constatou, para haver processo é necessário pelo menos uma testemunha.
A violência doméstica tem sido registada em diversos tipos de relações familiares, incluindo já atualmente os casais do mesmo sexo. Dos casos participados à GNR entre 2014 e 2018, 77% são crimes contra cônjuges, 25% contra idosos e 3% é violência contra menores. A grande maioria das vítimas são mulheres, enumerou, mas começam também a aumentar o número de homens vitimas, em particular entre idosos.
A idade média do agressor e da vítima é entre os 35 e os 44 anos, sendo que têm crescido as vítimas acima dos 65 anos. A violência física domina, mas também há casos de coação psicológica. Entre os menores sinalizados, a maioria tem entre cinco e 10 anos.
No que toca à violência no namoro, questionada pelo mediotejo.net, Patrícia Fernandes referiu não haver casos registados em Alcanena. Já Gustavo Duarte, da APAV de Santarém, explicou que os serviços têm sido chamados sobretudo para ações de formação sobre essa temática.
O padrão da violência no namoro, dentro de uma lógica de controlo, é semelhante ao da violência conjugal e, por vezes, resulta de casos de violência no passado dos intervenientes, explicou. Por outro lado, constatou, dá-se sobretudo importância aos maus tratos físicos. “A ofensa banalizou-se” e é menos provável de ser encarada como violência doméstica.
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