Câmara Municipal de Alcanena iluminada com as cores ucranianas. Foto: CM Alcanena

Foi na última reunião de executivo que Marlene Carvalho, vereadora com o pelouro da Ação Social, fez um balanço relativamente ao acolhimento de refugiados ucranianos por parte do município de Alcanena. Segundo a autarca, pelos serviços municipais já passaram 55 refugiados, sendo que o principal problema se prende com a falta de alojamento (de caráter mais permanente), o que inviabiliza o acolhimento de um maior número de pessoas fugidas da Ucrânia.

Após ter sido solicitado um ponto de situação pelo vereador José Ramos (PS) relativamente ao acolhimento de refugiados, Marlene Carvalho (Cidadãos por Alcanena) começou por fazer a ressalva de que podem haver mais cidadãos ucranianos fugidos da guerra no concelho que por alguma razão não deram entrada nos serviços da Câmara Municipal, mas que já por ali passaram 55 refugiados.

Este apoio, tal como referiu a edil, é feito através do acompanhamento do registo nas plataformas disponibilizadas, de uma avaliação do seu ponto de situação, de ajuda com as matrículas escolares e de auxílio na integração dos cidadãos de origem ucraniana num contexto profissional, sendo que o município está a trabalhar com a generalidade das entidades empregadoras do concelho, as quais identificam igualmente essas ofertas na plataforma do IEFP (Instituto do Emprego e Formação Profissional).

ÁUDIO | Marlene Carvalho, vereadora com o pelouro de Ação Social

O problema no concelho de Alcanena relativamente ao acolhimento de refugiados prende-se, no entanto, com a questão da habitação, notou Marlene Carvalho. Embora os refugiados que vêm para Alcanena através de contactos de familiares ou conhecidos já tenham à partida uma habitação (ainda que possa ser ou não temporária), “temos sido contactados com frequência através do Alto Comissariados para as Migrações e temos procurado aceitar as solicitações que nos são feitas”, deu nota a vereadora, acrescentando que até ao momento estão identificados alguns alojamentos temporários.

“Há um conjunto de alojamentos que são mais de teor temporário e o passo seguinte, que é o que estamos a fazer, o nosso serviço social tem feito esse trabalho diariamente, é tentar perceber que habitação é que poderá acolher de uma forma mais prolongada estes agregados familiares. As pessoas têm-se mostrado atentas e interessadas a desenvolver atividade profissional aqui no território e portanto estamos a tentar procurar acompanhar”.

Marlene Carvalho, vereadora com o pelouro da ação social. Foto: mediotejo.net

A autarca referiu ainda que os serviços de ação social do município têm feito o acompanhamento das pessoas que estão alojadas, para já, temporariamente, relativamente à necessidade de refeições e de alimentos, mas que “o que nós queremos rapidamente é colocar estas pessoas em habitação com caráter mais prolongado para que possam também alicerçar as suas rotinas, mas não é muito fácil”, notou.

“E daí não conseguirmos dar resposta ao Alto Comissariado na medida que desejaríamos porque é muito difícil estarmos a receber pessoas sem depois termos uma resposta de habitação mais estruturada. Há muitas casas para venda mas para arrendar as respostas são mesmo reduzidas”, disse Marlene Carvalho.

A vereadora detentora do pelouro de ação social referiu ainda que existe sempre a possibilidade de se recorrer ao alojamento hoteleiro, mas que esta acaba por ser igualmente uma solução temporária e que portanto “não é a resposta ideal”, pelo que está a decorrer uma articulação diária com as Juntas de Freguesia, IPSS e toda a rede social, no sentido de se tentar perceber se vão surgindo oportunidades de alojamento, referiu a edil.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.611 civis, incluindo 131 crianças, e feriu 2.227, entre os quais 191 menores, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra já causou um número indeterminado de baixas militares e a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, das quais 4,3 milhões para os países vizinhos.

Esta é a pior crise de refugiados na Europa desde a II Guerra Mundial (1939-1945) e as Nações Unidas calculam que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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