A Câmara de Alcanena anunciou um investimento de 300 mil euros na “renovação da infraestrutura informática e na segurança da mesma”, na sequência de um ataque “destrutivo” e de “grande gravidade” ao sistema informático do município em 2023. O presidente da autarquia apontou fragilidades resultantes de um “desinvestimento de 15 anos” e indicou já para abril uma nova relação digital com os munícipes.
O presidente do município de Alcanena, Rui Anastácio, lembrou ao mediotejo.net um ataque cibernético muito grave e as fragilidades resultantes de um “desinvestimento de 15 anos”, tendo indicado estar em curso um “investimento de quase 300 mil euros na renovação da infraestrutura informática e na segurança da mesma, através da aquisição de infraestruturas para armazenamento de dados informáticos e de sistemas de cibersegurança, com vista ao aumento da produtividade e à simplificação de processos”.
“Está tudo ligado. Na realidade, nós já tínhamos este plano, que tencionávamos iniciar este ano, e o que é verdade é que, se calhar, no limite, até para bem de todos, o ataque informático colocou a nu duas fragilidades. A auditoria forense é clara sobre isso, fala em 15 anos de desinvestimento”, afirmou Rui Anastácio.

No dia 15 de novembro de 2023, em conferência de imprensa, o presidente da Câmara de Alcanena disse que o ataque ao sistema informático do município, que ocorreu a 06 de novembro daquele ano, foi “destrutivo” e de “grande gravidade”, tendo indicado que “os prazos de resposta da autarquia se encontram suspensos”, situação que se prolongou por alguns meses.
“Portanto, vamos ter de dar resposta a este plano, que é um problema sério que afetou de uma forma terrível os nossos serviços, que obrigou a que todos nós nos superássemos a trabalhar de dia e de noite, para repor os dados que tínhamos de repor e que perdemos, mesmo na área financeira, recursos humanos e do urbanismo, onde queremos fazer uma progressão e queremos, de facto, saltar para um outro patamar”, disse o autarca.
Questionado sobre se os efeitos do ataque cibernético ainda hoje se fazem sentir nos serviços municipais, Anastácio disse que “as grandes consequências estão ultrapassadas” e que “o grosso do problema está resolvido”, tendo indicado, no entanto, “ainda surgirem, no dia a dia, pequenos problemas associados ao grande problema”.
Rui Anastácio destacou “um grande investimento” na “infraestrutura, na segurança e também um investimento forte na interface com os munícipes” que, na área do urbanismo, vão poder tratar do processo em casa, e no seu computador acompanhar o andamento do processo internamente e escrutinar porque é que leva mais tempo, onde é que está, qual foi a entidade, se foi o requerente, se foi até o projetista que muitas vezes também recebe pedidos de informação e não dá resposta e os requerentes não têm conhecimento disso”.
Segundo informação do município, “no âmbito do urbanismo digital serão disponibilizados, já em abril, formulários ‘on-line’ que permitirão aos cidadãos, a partir de casa, submeter os diversos requerimentos e acompanhar o estado dos processos urbanísticos, estando “a decorrer a contratação de uma empresa especializada na digitalização do arquivo”, num processo de investimento que vai também permitir “escrutinar” a atividade dos vários serviços.
“A partir de abril/maio vamos ter uma nova relação com os requerentes e um sistema novo que está a ser montado e que ficará pronto no decorrer do mês de abril. Portanto, poder escrutinar, temos uma total transparência no processo e podermos medir como é que estamos a evoluir, também com novos relatórios, até relatórios para os políticos, para as chefias, que vão poder acompanhar a performance dos serviços” municipais, declarou o autarca.
“No fundo, se calhar, há males que vêm por bem. Um grande problema acabou por se transformar num grande desafio e estamos a procurar dar resposta”, concluiu.
