“É um momento marcante, até porque resulta de um trabalho de três anos, que passou pela negociação e aquisição de todos aqueles terrenos, são dois hectares e meio (2.5 ha) numa zona nobre da vila de Alcanena, que vamos renaturalizar e requalificar”, disse à Lusa o presidente do município de Alcanena, tendo feito notar um “projeto emblemático” e que é “apadrinhado” pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
Segundo Rui Anastácio, o objetivo é “recuperar aquela paisagem”, e “trazer para a superfície linhas de água”, em empreitada que inclui uma “prospecção arqueológica muito importante”, tendo o autarca indicado que “a indústria de curtumes nasceu naquele local”, em Alcanena.
“Esta obra é uma parte, é uma peça de puzzle de recuperação de uma paisagem que estava devoluta, com um passivo ambiental e industrial enorme, numa zona nobre da vila, e que agora vamos renaturalizar e requalificar”, declarou, tendo iniciado a primeira das duas fases que integram o projecto global.

ÁUDIO | RUI ANASTÁCIO, PRESIDENTE CM ALCANENA:
A primeira fase da empreitada do Projecto Couros foi consignada à empresa Eco Demo – Demolições, Ecologia e Construção, SA., por 2.5 milhões de euros [2.466.689,92€ + IVA], e apresenta um prazo de execução de 240 dias (oito meses).
A obra conta com apoios comunitários na ordem dos 80% do valor total de investimento, do programa Centro 20-30, e de uma linha de apoio contra cheias e inundações no âmbito dos recursos hídricos, numa empreitada tida como “muito importante” para o autarca.
“Este é um dia muito importante porque falamos de uma zona junto ao casco histórico, onde temos meia dúzia de projetos de reabilitação, na área da habitação a custos acessíveis, e tudo isto são peças do puzzle que, felizmente, vamos conseguindo encaixar para reabilitar Alcanena e, nomeadamente, a sede do concelho”, declarou Rui Anastácio.
O autarca disse ainda que “uma parte da empreitada” incide na “demolição de edifícios devolutos e retirada de amianto”, processo que implica um investimento superior a um milhão de euros, a par da renaturalização do espaço.
“No fundo vamos resolver ali um enorme passivo ambiental, sendo que, depois, haverá uma nova empreitada”, na segunda fase do projecto, com as especificidades da futura empreitada a estarem, em parte, dependentes das prospeções arqueológicas.
“Na sequência dessa prospeção arqueológica e dessa renaturalização, todo aquele espaço será depois alvo de um segundo projeto, de paisagismo, mais rigoroso, e de reabilitação de alguns dos poucos edifícios que irão ficar de pé. Todo aquele passivo industrial vai ser retirado, mas há alguns edifícios emblemáticos e históricos que vamos preservar”, declarou.
Segundo Rui Anastácio, do Projecto Couros, no final, vai resultar “uma nova centralidade” em Alcanena, “e um novo olhar para o espaço urbano, e para a relação do espaço urbano com o envolvente natural”.

A Câmara de Alcanena investiu “mais de 600 mil euros” na aquisição e expropriação de terrenos para a requalificação do local.
