Alcanena inaugura obras de 9.5 ME nos sistemas de águas e sublinha "desafios ambientais" para o futuro. Foto: mediotejo.net

Os três projetos inaugurados na sexta-feira representaram um investimento de aproximadamente 9,5 milhões de euros (ME), nos sistemas de saneamento de águas residuais domésticas e industriais, onde se destacam os investimentos prioritários na ETAR de Alcanena, cujo valor das empreitadas ascendeu a 5,1 ME, com um cofinanciamento de 4,87 ME através do programa operacional Compete 2020.

Já o investimento no sistema de Carvalheiro foi de 1,18 ME, e nos sistemas de Covão do Coelho/Vale Alto, ascendeu a 3,17 ME, sendo que ambos os projetos foram financiados pelo POSEUR – Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos.

“Alcanena teve um momento 1.0, penso que estamos agora no momento 2.0 com este conjunto de investimentos e não vale a pena escondermos a cabeça na areia, temos ainda problemas sérios, temos situações de maus odores, a ETAR não cumpre ainda com a lei da água e bem sabemos que a exigência vai ser cada vez maior. Portanto, temos aqui um desafio para conseguirmos passar à nossa fase 3.0”, afirmou Rui Anastácio, presidente da Câmara Municipal de Alcanena.

A autarquia encontra-se agora “extremamente empenhada” em conseguir soluções “diferentes e inovadoras” para um problema que “não foi equacionado no plano estratégico” e que se prende com o aterro de lamas, ou seja, a poluição que é retirada no processo de tratamento da ETAR de Alcanena e que é depositada em aterro. A Câmara procura agora uma solução final dada a proximidade do aterro a zonas habitacionais.

ÁUDIO | Rui Anastácio, presidente da Câmara Municipal de Alcanena

“Estamos empenhados (…), a pensar em soluções alternativas, num novo sistema de tratamento que nos vai permitir ter cerca de 80% de matéria seca e estamos a trabalhar para um destino final que não seja o aterro”, explicou, tendo feito notar que o aterro de Alcanena está a poucas centenas de metros de bairros habitacionais.

“Penso que não haverá nenhum aterro no país que tenha esta proximidade à casa das pessoas e vamos ter que trabalhar no curto, médio prazo, se puder ser mais curto do que médio melhor, para conseguirmos encerrar o nosso aterro e conseguir um destino final para as lamas”, acrescentou Rui Anastácio.

O edil sublinhou ainda a necessidade de resolver a questão do tratamento do efluente final, sendo necessária uma solução “diferenciadora, inovadora e de base natural” e que possa “ser um exemplo para Portugal e para a Europa”.

“É muito importante que nós possamos (…) valorizar o trabalho da nossa academia, colocá-la ao serviço do desenvolvimento, da diferenciação e da economia. É esse o trabalho que estamos a procurar fazer, estudando aprofundadamente e depois haverá tempo para financiamentos e decisões. Contamos com a boa vontade, abertura e disponibilidade do Ministério do Ambiente, estou certo que isso acontecerá”, vincou.

Para dar resposta ao “grande desafio ambiental” do concelho de Alcanena, que é melhorar o tratamento das águas residuais industriais provenientes do setor de curtumes ali instalado, coube à Aquanena, enquanto entidade gestora do sistema, “delinear e executar um plano estratégico para melhorar o tratamento que é efetuado na ETAR e em toda a rede de coletores”, agora inaugurado.

Após uma breve sessão de apresentação sobre os projetos a inaugurar, que decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho, a comitiva seguiu para a Estação de Tratamento de Águas Residuais de Alcanena, seguindo-se a inauguração das novas redes de saneamento de Carvalheiro e de Covão do Coelho/Vale Alto.

“As obras do sistema da rede de saneamento, de Carvalheiro, de Vale Alto e do Covão do Coelho, que nós já recebemos do anterior executivo, eram obras que estavam paradas, com problemas muito sérios do ponto de vista da empreitada e falência de empreiteiros, mas felizmente conseguimos resolver e terminar essas obras que permitem ao concelho de Alcanena ter praticamente 100% de saneamento”, destacou o presidente da Câmara.

Em declarações ao mediotejo.net, o secretário de Estado do Ambiente, Emídio Sousa, mostrou-se satisfeito com o que observou, considerando ser um exemplo a replicar no território.

“O tratamento das águas é fundamental. O desenvolvimento de um território está sempre ligado às infraestruturas que construímos e hoje nós temos, felizmente, a percepção que os recursos naturais devem ser protegidos, o desenvolvimento deve ser sustentável, que a utilização de recursos deve ser devidamente ponderada e, no caso da água, que é absolutamente fundamental para a nossa vida, ainda com mais acuidade”, sublinhou.

“Portanto, nós temos de usar os recursos mas protegê-los e a forma de os proteger é, precisamente, quando o devolvemos à natureza, devolvê-lo nas melhores condições possíveis. E eu vejo aqui esse trabalho a ser feito, ainda por cima, num território onde uma indústria de curtumes tem um peso muito significativo e a consequente carga poluente é muito elevada. Portanto, saio daqui satisfeito porque vejo que os autarcas locais estão a fazer um trabalho bem feito, estão preocupados com a defesa do meio ambiente e é isso que está concretizado”, acrescentou.

Quanto aos desafios ambientais com que Alcanena ainda se depara para o futuro, o secretário de Estado assegurou que o Governo estará “disponível para financiar”.

ÁUDIO | Secretário de Estado do Ambiente, Emídio Sousa, em declarações ao mediotejo.net
Secretário de Estado do Ambiente, Emídio Sousa. Foto: mediotejo.net

“Depois é preciso concretizar no terreno. A verdade é que nós também para termos a nossa qualidade de vida, o nosso desenvolvimento, a nossa roupa, temos algum impacto na natureza. Portanto, há aqui a necessidade de minimizar este impacto. Isso está a ser feito e como disse o senhor presidente e muito bem, ainda não está 100% bem”.

“Ainda temos alguns odores, mas vi com muito agrado, por exemplo, a grande ETAR que já se cobriram alguns dos tanques, o que evita alguns odores e os próprios aterros, há soluções técnicas para minimizar o efeito dos odores. Eu penso que se pode concretizar esses investimentos”, concluiu Emídio Sousa.

As obras desenvolvidas no sistema de Alcanena, na ordem dos cinco milhões de euros, visam aumentar a eficiência e também o controlo de odores da ETAR [Estação de Tratamento de Águas Residuais]”, disse o presidente da câmara de Alcanena, Rui Anastácio.

Contudo, salientou, o problema de fundo em termos ambientais carece depois de um “sistema de afinação final”, com uma “solução de base natural para a afinação do efluente que vai permitir que o efluente da ETAR seja zero, ou seja, não vai água para o rio e o efluente final é eliminado por evapotranspiração”, um investimento que estimou em cerca de 10 milhões de euros.

C/LUSA

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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