“O Museu estrutura-se em três coleções distintas: curtumes, única no país, pela sua especificidade, Arqueologia, com achados do território, desde o Paleolítico até à Idade Moderna, e História Local, de caráter etnográfico, que contempla peças desde os carris da ‘Rata Cega’, comboio existente em Alcanena nos finais do século XIX, a utensílios de fiação provenientes de Minde”, disse hoje à Lusa o presidente do município de Alcanena, Rui Anastácio.
O Museu e Arquivo Municipal foram Instalados no edifício destinado a Museu do Curtume, “concluído e encerrado desde 2008, sem nunca ter aberto ao público”, notou Rui Anastácio, tendo afirmado que o principal objetivo é a “salvaguarda da identidade do concelho” de Alcanena.
“Estamos a falar de preservar a nossa memória e é difícil projetar o futuro sem olhar um bocadinho para o passado. Nós tínhamos aquele edifício reconstruído em 2008 e tem estado devoluto de então para cá, o que só por si é de enorme gravidade”, declarou o autarca, a cumprir o seu primeiro mandato como presidente de Câmara, tendo sido eleito em 2021 por uma coligação entre PSD, CDS-PP e MPT.
“Nós assim tomámos posse, olhámos para o projeto, procurámos concretizar ideias, reunir uma equipa que tem trabalhado afincadamente, e agora é hora de inaugurar. é hora de convidar a população, de cá e de fora, até porque a história do concelho de Alcanena não é só a indústria de curtumes e o museu não é só o museu dos curtumes, é muito mais do que isso. Tem finalmente um espaço de divulgação, com grande respeito pela memória e por todos aqueles que construíram a história do concelho de Alcanena e tem também um espaço dedicado ao arquivo, que era algo que não existia”, declarou.
ÁUDIO | RUI ANASTÁCIO, PRESIDENTE CM ALCANENA:
A empreitada do Museu do Curtume teve início em 2008 e foi orçada em 1,7 ME. O equipamento ficou pronto no mesmo ano, porém, nunca abriu as portas ao público, tendo o atual executivo investido cerca 250 mil euros no edificado, projeto de museografia e multimédia, e cerca de 50 mil euros no Arquivo, perfazendo um investimento global na ordem dos 02 ME que abre portas ao público na sexta-feira num “espaço que se quer dinâmico” e vivido.

“Os museus hoje não são os museus de ontem. E a ideia é que os museus tenham uma programação com a comunidade, que envolvam a comunidade e nos ajudem também, olhando para o passado, a projetar o futuro”, declarou Rui Anastácio, tendo feito notar que o equipamento “guarda em si uma história plural e singular do território, com 45 mil anos, um saber-fazer muito particular, assente nas dinâmicas de um território de transição em constante dialética”.
Em declarações à Lusa, Gabriel Feitor, coordenador do projeto de instalação do Museu e Arquivo Municipal, disse que o que se pretende é que seja “um museu aberto, de todos e para todos, multidisciplinar, que interaja com a componente do Arquivo Municipal”, equipamento que fica instalado no mesmo edifício.
“Ir além da temática do curtume surgiu de uma necessidade de se contar uma história sobre o território que, apesar de se ter constituído autonomamente apenas há 110 anos, já tinha entre si contactos e relações centenas de anos antes”, notou Feitor, tendo destacado um espaço que faz a “interpretação dos processos histórico que influenciaram o território e a comunidade”.

A exposição de longa duração do Museu estrutura-se em três coleções distintas, uma dedicada à Arqueologia, com achados do território, desde o Paleolítico (45 mil anos atrás) até à Idade Moderna, uma outra de Curtumes, “única no país, pela sua especificidade técnica, científica e industrial”, e uma terceira sobre a História Local, de caráter etnográfico.
Já o Arquivo Municipal alberga os fundos documentais municipais, bem como alguns fundos privados doados para o efeito. A documentação histórica ficará, para já, acessível aos investigadores e público em geral, mediante marcação prévia.
