Na sua 11ª edição, o Fórum de Recursos Sociais de Alcanena debateu os impactos da pandemia e os desafios colocados à rede social do concelho. Na sessão de abertura, o diretor da Segurança Social de Santarém, Renato Bento, deu conta que o novo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) tem previstos 600 milhões de euros para o desenvolvimento de todo o tipo de respostas sociais, prevendo assim um forte incremento nesta área nos próximos anos.
Após um ano de interregno devido à crise sanitária, o Fórum de Recursos Sociais tornou a organizar-se, reunindo em debate as várias instituições que integram o Conselho Local de Ação Social (CLAS) de Alcanena. Na sessão de abertura, a presidente da Câmara, Fernanda Asseiceira, elogiou o trabalho de toda a equipa social em ano de pandemia, constatando que sem o seu esforço toda a situação teria sido ainda mais dramática. “As pessoas são o mais importante”, frisou a autarca.

Seguiu-se a intervenção de Renato Bento, salientando que “estamos numa fase de mudança de paradigmas”, devido à transição de competências na área da ação social para os municípios. Estas competências, adiantou, vão incidir sobretudo no serviço de acompanhamento social e no acompanhamento de famílias beneficiárias do Rendimento Social de Inserção.
“Cá estaremos para prestar apoio a este processo complexo”, garantiu, e que será transformador ao nível da intervenção social no país.
Renato Bento saudou também o trabalho desenvolvido pelos CLAS, redes criadas em 1997 que já na altura mudaram paradigmas de intervenção social. No novo cenário de descentralização da ação social, estas estruturas vão ver o seu papel reforçado nos territórios, constatou.
Alertou assim que o PRR tem previstos 600 milhões de euros para desenvolvimentos de respostas sociais, pelo que os próximos anos vão ser profícuos em políticas públicas a este nível.
Seguiu-se um debate sob o tema “Viver em Pandemia: consequências e aprendizagens ao nível pessoal e comunitário”, que contou com as intervenções de Rogério Roque Amado, docente do ISCTE – IUL, e Núria Duarte, Psicóloga Clínica.

Discutindo a tragédia da pandemia e o papel das redes sociais, Rogério Roque Amado acabaria por apontar os principais problemas que afetam as redes locais de ação social: excesso de municipalização, tendência a serem um instrumento de controlo partidário, tendência para caírem na rotina, a população e os empresários locais estão completamente ausentes destas estrutura, a visão do “social” é muito limitada. “Se tudo for ultrapassado, são redes de reforço da democracia”, refletiu.
Já Núria Duarte refletiu um pouco sobre o impacto da pandemia na saúde psicológica, apontando o aumento de casos de ansiedade e depressão. No que toca às crianças há também um aumento de agressividade e dificuldade em regular emoções.
