Augusto Pereira, figura conhecida no concelho de Alcanena por registar em video, de forma amadora, os vários momentos da vida do concelho, publicando-os na sua página de facebook, vai ter os seus pequenos documentários apresentados num ciclo de cinema documental que receberá o seu nome. A promessa foi deixada pela presidente da Câmara, Fernanda Asseiceira, na segunda-feira, 8 de outubro, na abertura do ano letivo da Academia Sénior do concelho de Alcanena.
Fundada em 2012, a Academia Sénior tem aumentado em número de alunos e disciplinas, constatando-se no decorrer da sessão, na Biblioteca Municipal de Alcanena, que o espaço começa a ser pouco para receber tantos estudantes. “Esta é uma das formas mais bonitas de combate à solidão”, comentou José Luís Ramos, presidente da ARPICA – Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos do concelho de Alcanena, um dos três constituintes da Academia Sénior, adiantando que estão a ser tomadas diligências para ultrapassar os problemas de espaço.
O mesmo compromisso para os próximos anos foi deixado pela presidente da Câmara, Fernanda Asseiceira, frisando também que os espaços municipais estão sempre disponíveis para as atividades da Academia.
Na sua intervenção, a presidente elogiou em particular o “espírito de iniciativa” de um dos elementos da ARPICA, Augusto Pereira, que há várias décadas realiza pequenos vídeos documentais do quotidiano do concelho. Um “contributo” voluntário deste ex-emigrante que criou um registo histórico documental que o próprio município não possui, reconheceu, havendo por tal a proposta de organizar o espólio de Augusto Pereira num ciclo de cinema que terá o seu nome.
“São momentos de aprendizagem, de homenagear factos e pessoas”, afirmou, “será com certeza do interesse geral”. O compromisso deixado pela autarca foi de tentar organizar o ciclo de cinema dentro de um ano.
Com 87 anos e uma vida de emigrante no Canadá, Augusto Pereira adiantou ao mediotejo.net que começou a filmar na década de 70, pequenos depoimentos de pessoas de Alcanena que depois levava e projetava, ainda em bobines, para a comunidade emigrante no Canadá. “Ia tudo para a minha casa passar a tarde”, recorda, momentos que eram bastante emotivos. “Devo ter registado quase todo o povo de Alcanena”, comenta rindo.
Admitindo-se “um curioso”, Augusto Pereira continua até hoje a fazer este trabalho de registo, que publica agora no facebook. De gravações mais antigas, comenta que tem entre 180/190 cassetes de 8mm e mais de 200 VHS.
