Fernanda Asseiceira interrompeu a campanha eleitoral para manifestar a sua preocupação e esforços para resolver o problema da poluição. Foto: mediotejo.net

Numa conferência de imprensa realizada na tarde de segunda-feira, 25 de setembro, a presidente da Câmara de Alcanena, Fernanda Asseiceira, fez um ponto de situação sobre os passos que têm sido dados para resolver o problema dos maus cheiros no concelho. Afirmando-se do lado da população, referiu que levará a busca de respostas até “às últimas consequências”. Em tempo de campanha eleitoral, explicou também que foi o burburinho das redes sociais que a fez decidir tomar uma posição pública sobre a sua preocupação quanto a esta matéria.

Após uma reunião do conselho de administração da AUSTRA – Associação de Utilizadores do Sistema de Tratamento de Águas Residuais de Alcanena, Fernanda Asseiceira convocou uma conferência de imprensa onde informou a comunicação social quanto ao trabalho que tem sido feito pelo município no que toca aos maus cheiros. Depois da requalificação da rede de coletores em 2016 e de um período em que o problema parecia resolvido, os maus cheiros voltaram e em força, surgindo “misteriosamente” em diversas horas do dia.

Fernanda Asseiceira reiteraria que já tem passado pela ETAR e por fábricas em período noturno, tentando descobrir a origem do mau odor. “Mesmo à noite temos andado no terreno e chegámos ao ponto de espreitar ribeiras” e unidades industriais, mas as primeiras têm estado sempre secas, referiu.

“A AUSTRA também não nos consegue dar uma reposta conclusiva sobre a origem” do mau cheiro, referiu. Das reuniões da empresa com o município ficou a garantia de se proceder a um conjunto de procedimentos: melhorar a fiscalização junto de eventuais fontes poluidoras, corrigir zonas da ETAR que ainda possam gerar odores, recolha diretamente nas fábricas dos sulforetos para que não sejam escoados para a rede de coletores. Vai ainda começar a 2 de outubro o prometido estudo encomendado pela AUSTRA à Universidade de Aveiro para identificar a origem da poluição.

Da parte do município, Fernanda Asseiceira adiantou ter contactado o IGAMAOT – Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território sobre situações de incumprimento das normas ambientais, pedindo que a instituição venha com a maior brevidade possível fazer uma inspeção a Alcanena.

“Que não haja dúvidas”, frisaria por mais que uma vez a autarca, “nós estamos do lado da saúde pública das pessoas”. O “desenvolvimento sustentável” é essencial ao concelho, pelo que “iremos até às últimas consequências para encontrar as causas” dos maus cheiros, frisou.”Isto é um incómodo para todos”, sublinho, havendo “alturas que o ar é irrespirável”. “Que não haja dúvidas sobre a minha preocupação”.

Fernanda Asseiceira explicou que a ideia inicial era aguardar pelo pós-eleições para se manifestar publicamente sobre o tema da poluição, no entanto algum burburinho, nomeadamente nas redes sociais, fê-la decidir antecipar esta sua tomada de posição.

Cláudia Gameiro

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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