Maria Clara foi costureira toda a vida e coloca grande preciosismo na produção das máscaras reutilizáveis Foto: mediotejo.net

*texto retificado às 09h14 de 6 de maio de 2020

Na segunda-feira, 4 de maio, abriu em Monsanto o “balcão solidário”, uma iniciativa da junta de freguesia para que toda a população tenha acesso a luvas, álcool-gel desinfetante e máscaras reutilizáveis. O kit está à venda por três euros (um euro por unidade), por forma a cobrir o investimento da junta em material e permitir que esta iniciativa se estenda tanto tempo quanto a crise pandémica durar. Há 13 voluntárias a costurar as máscaras reutilizáveis. Na segunda-feira, a meio da manhã já tinham sido vendidas 50 e havia inclusive encomendas de emigrantes.

Monsanto tem uma tradição de costureiras. Maria Clara Costa sabe disso: costurou toda a vida e trabalhou 13 anos numa fábrica de luvas. A iniciativa da junta de freguesia de reunir voluntárias para costurar máscaras reutilizáveis para distribuir pela população em tempo de desconfinamento fez vir ao de cima esta cultura.

Monsanto quis ajudar a população a proteger-se do vírus face aos preços elevados no mercado Foto: mediotejo.net

Monsanto tem uma tradição de costureiras. Maria Clara Costa sabe disso: costurou toda a vida e trabalhou 13 anos numa fábrica de luvas. A iniciativa da junta de freguesia de reunir voluntárias para costurar máscaras reutilizáveis para distribuir pela população em tempo de desconfinamento fez vir ao de cima esta cultura.

O molde foi entregue às 13 voluntárias e cada uma faz as máscaras que consegue. Maria Clara ainda não fez muitas, cerca de 25, mas neste dia vai ter mais tempo para se dedicar ao projeto, garante-

Costura por boa vontade e não quer receber nada em troca. Adora costurar. Este é o seu contributo para combater a pandemia de Covid-19, que marca o compasso da vida da população há quase dois meses. Maria Clara praticamente não tem saído de casa, pelo que não sabe se a população está a gostar do seu trabalho.

Junta de Monsanto vende kit com máscara reutilizável, álcool gel e luvas por 1 euro Foto: mediotejo.net

Conhecedora dos meandros da costura, faz as máscaras com grande preciosismo. Quer que sejam fortes, pelo que reforça as bordas. Os olhos não lhe permitem trabalhar rapidamente nem muitas horas, mas o produto será de qualidade. “Faço a minha vida e quando posso venho costurar”, explica, fazendo uma média de cinco máscaras por dia.

Carla Lourenço, 42 anos, não costurava há 20 anos e nem sequer tinha máquina de costura. Ao ouvir falar do projeto do kit da junta de Monsanto, ligou para a autarquia para voluntariar-se para fazer máscaras reutilizáveis. Mas “não sabia se dava conta do recado”, admite.

Com três filhos, o mais novo ainda pequeno, não é fácil organizar o seu dia. Dedica às máscaras três horas, hora e meia de manhã e hora e meia à tarde. Faz uma média de 20 por dia, o seu objetivo autoimposto. “Tenho conseguido”, afirma orgulhosa, tendo já contribuído com 65 máscaras.

O molde não é particularmente complicado, mas foi pedir conselhos à mãe, costureira toda a vida. Pediu uma máquina emprestada e começou a produzir. “É dar um bocadinho do nosso tempo em prol dos outros”, comenta.

Com três filhos, Carla tem uma rotina organizada para conseguir produzir as máscaras Foto: mediotejo.net

O lema da junta de Monsanto para este kit é “feito com amor”. O presidente da junta, Samuel Frazão, explica ao mediotejo.net que face à obrigatoriedade de uso de máscaras e outras medidas de contenção individual do vírus, a autarquia iniciou uma avaliação do mercado e percebeu que os preços estavam elevados. No entanto, a junta investir todos os meses mil euros na aquisição de material (álcool, embalagens, tecido para as máscaras e luvas) era incomportável a longo prazo.

Optou-se assim por colocar o preço de três euros no kit, um euro por cada item (máscara, luvas ou álcoo-gel), que permite algum retorno no investimento e à autarquia manter o balcão solidário pelo tempo da pandemia. A aceitação, adianta Samuel Frazão, está a ser boa e as pessoas têm usado as máscaras.

Há encomendas de emigrantes. A comunidade de costureiras uniu-se para ajudar e há inclusive duas de Fátima. “Vamos manter o balcão durante o tempo que for necessário”, garante.

Cláudia Gameiro

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.