Para Rui Anastácio (Cidadãos por Alcanena) presidente da Câmara Municipal, a falta de médicos é a “situação mais grave” do concelho, defendendo o autarca que esta situação “absolutamente terrível” em que 63% da população se encontra sem médico de família, só pode ser revertida através do rejuvenescimento da equipa médica no concelho e de uma consequente criação de uma Unidade de Saúde Familiar.
“Sabemos que vai haver um presidente de Câmara muito zangado, mas o que é verdade é que nós estamos todos muito mal, mas pior que Alcanena não sei se alguém estará”, disse Rui Anastácio, referindo que a região de Lisboa e Vale do Tejo “está muito mal, comparando com o resto do país”, naquela que é uma “coisa que também não se compreende”.
Tendo sublinhado a “carência brutal” de médicos em Alcanena, Rui Anastácio disse na última reunião de executivo que o concurso que ficou deserto para dois médicos em Alcanena, em agosto, foi novamente lançado, e que a Câmara tem vindo a entabular conversações no sentido de ser possível abrir uma vaga para mobilidade no concelho, uma vez que existe uma médica que quer ir para Alcanena, sendo que, segundo o autarca, existe um compromisso de essa vaga ser aberta no início do próximo ano.
“Resumindo, nós estamos atentos, estamos a trabalhar, estamos a pressionar”, frisou o autarca, acrescentando que o município vai pedir uma reunião com o ministro da Saúde, Manuel Pizarro, para “mais uma vez sensibilizarmos para a situação terrível que estamos a viver no concelho de Alcanena, que a população está a viver”.
Rui Anastácio adiantou também que existem igualmente obras previstas no aviso PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) para o Centro de Saúde de Alcanena e a extensão de Minde, esta num valor de cerca de 120 mil euros.
Para o autarca, a solução no entanto não pode passar por andar “só a tapar buracos, com contratações pontuais” ou a “convencer médicos já reformados que continuem ao serviço”, algo que no entanto considera “importante”.
O eleito pelo Cidadãos por Alcanena entende que enquanto não se “criar um número mínimo de gente jovem, com vontade de criar numa Unidade de Saúde Familiar, não vamos conseguir criar aqui uma dinâmica necessária a que possamos atrair médicos jovens. Se eles não têm perspetivas de carreira no concelho de Alcanena não vêm para cá”.
“Enquanto não houver rejuvenescimento, nunca mais se consegue. Porque até há enfermeiros… fora os médicos, há uma equipa interessante no Centro de Saúde que permitira criar uma Unidade de Saúde Familiar. E essa é que tem de ser a nossa estratégia, criar uma Unidade de Saúde Familiar, porque isso é que permite um dinamismo interessante como se verifica em alguns sítios, nomeadamente em Torres Novas, entre outros”, defendeu Rui Anastácio.
“Enquanto não houver rejuvenescimento da estrutura etária, não conseguimos sair disto. É a conclusão a que eu chego de bater a muita porta e eu considero que neste momento a situação da falta de médicos no concelho de Alcanena é a situação mais grave do concelho de Alcanena”, concluiu Anastácio.

2603 pessoas sem médico atribuído.
Enquanto houver médico de recurso em princípio tudo bem.
Os médicos têm simplesmente gente a mais atribuída, e faltam imensas vezes, a realidade é que os médicos de recurso são na prática os médicos que as pessoas irão ver a maior parte das vezes… ou pelo menos têm sido esses que tenho visto mais vezes mesmo quando tinha médico atribuído (em outro concelho).