Foto: Facebook Fábrica de Cultura - Minde

A Fábrica de Cultura de Minde ainda não dispõe de projeto de execução, encontrando-se o mesmo em fase de elaboração, enquanto que paralelamente se tenta de arranjar financiamento, não tendo a autarquia disponibilidade financeira no momento. Rui Anastácio (Cidadãos por Alcanena), presidente da Câmara Municipal, disse estar em causa um projeto de 5/6 milhões de euros e defendeu que o empreendimento precisa de ser “rigorosamente planeado” e o modelo de gestão bem pensado, para não se “criar elefantes brancos”.

“Eu não estou disponível para criar elefantes brancos”, afirmou o líder da autarquia alcanenense em reunião de executivo, referindo que o projeto a ser levado a cabo para a Fábrica de Cultura de Minde tem de ser sustentável e gerar receitas, pelo que o objetivo passa por captar os fluxos turísticos que passam na região e não só por ser uma casa para as coletividades.

“Aquele valor que está em cima da mesa não pode ser para isso, tem de ser um motor de desenvolvimento económico de Minde e da própria região, tem de ser alguma coisa que consiga captar gente de toda a região, para não dizer de todo o país, para não dizer até de todo o mundo, estamos a falar de fluxos de milhões de pessoas que circulam em toda esta região, leia-se Fátima, grutas, Batalha, Alcobaça, Tomar. O que nós queremos é que para além de os turistas irem a Fátima, a Tomar, à Batalha e às grutas, também vão à Fábrica da Cultura de Minde”, defendeu Rui Anastácio.

O presidente da autarquia disse que além da ligação à economia, se está a negociar com a Universidade Nova de Lisboa a possibilidade de criar ali uma área de investigação relacionada com a temática das fibras naturais e dos corantes naturais.

“Portanto, tem de haver uma ligação forte à economia, sob pena de estarmos a criar um elefante branco. Paralelamente a isso, ao modelo de gestão, estamos a trabalhar num projeto de execução porque quando for para lançar para concurso temos de ter esse projeto, mas temos de ter dinheiro, e neste momento não temos dinheiro”, declarou Rui Anastácio.

Rui Anastácio (Cidadãos por Alcanena), presidente da Câmara Municipal.

Relativamente ao financiamento, Rui Anastácio revelou que foi recentemente a Bruxelas onde está a ser discutido um novo pacote de apoio à área cultural lançado pela Comissão Europeia, o New European Bauhaus, pelo que o autarca defende querer estar dentro desses processos, com parcerias internacionais, e juntar massa crítica.

“Eu não tenho dúvidas nenhumas que a Câmara anterior não fez a Fábrica de Cultura porque não quis, não fez porque não tinha dinheiro. Porque quando falamos em investimentos na ordem dos 5/6 milhões, e até já se falou em valores superiores, e conhecendo o orçamento municipal, percebemos todos que ou há apoio de fundos comunitários, ou aquilo não se faz. Nós temos essa consciência e portanto o que prometemos estamos a cumprir, que é lutar por aquele projeto em que acreditamos e que pode ser um verdadeiro motor de desenvolvimento”, disse ainda Rui Anastácio.

Cine-Teatro Rogério Venâncio precisa de, pelo menos, um milhão de euros para ficar “minimamente aceitável

Ainda em Minde, mas sobre o Cine-Teatro Rogério Venâncio, Rui Anastácio revelou que estão a decorrer várias reuniões e que existe uma série de problemas com o projeto, mas que não há dinheiro para tudo, pelo que é preciso “parar para pensar”, sob pena de se estar a gastar dinheiro ao mesmo tempo que se aumenta o problema.

Rui Anastácio (Cidadãos por Alcanena), presidente da Câmara Municipal.

Isto porque para a sala ficar “minimamente aceitável” é necessário, pelo menos, um milhão de euros de investimento, notou Rui Anastácio, sendo que a candidatura que o anterior executivo conseguiu ver aprovada consiste num financiamento na ordem dos 200 mil euros.

“E portanto é preciso pensar onde é que se vai gastar esse pouquíssimo dinheiro, sob pena de estarmos a aumentar o problema em vez de ajudar a resolver as coisas”, disse Rui Anastácio.

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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