As autarquias de Alcanena e Torres Novas pretendem conjugar esforços através do projeto “Ouro Líquido” para a valorização do azeite e olival extensivo que cobre grande parte das suas áreas, visando criar uma marca que permita valorizar e vender este produto numa escala muito maior e a preços mais elevados do que os atuais, inclusive no estrangeiro. Os municípios pretendem igualmente celebrar um protocolo para a criação de um Complexo Sustentável Integrado de Instalações para a partilha de infraestruturas, de promoção, angariação de investidores e custos.
Em causa está o encontrar de uma “solução” para a fileira do azeite nestes dois concelhos, o que parece passar também pela criação de uma associação de produtores, pelo que depois o assunto tem de ser estudado de modo a organizar o produto, através de marketing, comunicação e exportação, “porque só assim é que nós conseguimos valorizar o azeite”, referiu Rui Anastácio (Cidadãos por Alcanena), presidente da Câmara Municipal de Alcanena, em reunião de executivo, relembrando que 30% da área do concelho de Alcanena e quase 20% da de Torres Novas é composta por olival.
O autarca defendeu ainda que este azeite não pode ser vendido a 3.5, 4 ou mesmo 5€ o litro – preços atual e comummente praticados – mas sim a 10, 15 e 20 €/litro, eventualmente em garrafas mais pequenas, pelo que “é este trabalho de organização do produto, de organização de produtores, de lagareiros que têm de ser feito e tem de ser feito também em alguma escala, por isso é que nós fomos procurar Torres Novas”, explicou Anastácio, adiantando que também já desenvolve alguns contactos com os municípios de Porto de Mós e Rio Maior.
“No limite no limite o que que gostaria é que as Câmaras pudessem sair disto, que as coisas estivessem num estado de maturidade em que a economia é entregue a quem deve ser – que é às empresas e aos agricultores – e que a Câmara de Alcanena e de Torres Novas pudessem sair desse processo. Para mim era o ideal”, disse ainda o líder da autarquia alcanenense.
Rui Anastácio reforçou a importância deste projeto referindo que muitas toneladas de azeitona acabam por cair ao chão porque a sua apanha não compensa aos produtores e que isso vai levando a que o olival se vá perdendo, adiantando que já foi feita uma auscultação informal junto dos produtores e que agora se pretende avançar com um processo formal.
Esta proposta de protocolo foi aprovada por unanimidade, bem como a do outro protocolo referente à colaboração entre estes dois municípios para a criação do Complexo Sustentável Integrado de Instalações Industriais e Logísticas junto da A1/A23.
O presidente da Câmara de Alcanena defendeu que tem de haver uma aproximação e uma colaboração “muito estreita” com a Câmara de Torres Novas “até porque coloca-se a questão da partilha de infraestruturas, de partilhar custos com a promoção e angariação de investidores, que este trabalho faz-se cá dentro mas faz-se sobretudo, e hoje em dia, lá fora. Vamos ter que ter algumas ajudas a este nível e, portanto, se contratarmos a dois, temos aqui um desconto de 50% para cada um de nós, isto para ser um bocadinho simplista de mais”, explicou.
“Mas de qualquer das formas é isso que está aqui em causa, é podermos trabalhar em conjunto, iremos procurar fazê-lo também em Minde, por exemplo com a Câmara de Porto Mós, e este é um caminho que eu acho que as Câmaras têm que trilhar, é algo que também eu penso que é partilhado um pouco por todos os presidentes de Câmara, nomeadamente no âmbito da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, portanto é este trabalho que pretendemos fazer”, afirmou ainda Rui Anastácio.
O autarca adiantou também que este protocolo tem um sentido “simbólico” mas não só, pelo que pretende também simbolizar que os dois presidentes de Câmara “estão de mãos dadas no sentido de poderem trabalhar em conjunto em prol das suas comunidades”.
Estas propostas de protocolos vão também ser levados a reunião de Câmara em Torres Novas no próximo dia 31 de agosto.
