Foto: Rafael Ascensão/mediotejo.net

O objetivo último é a obtenção do galardão da bandeira azul. O novo parque de estacionamento está em fase de obra e o passadiço para o ligar ao rio já está feito, mas pelo caminho pretende-se igualmente redinamizar o Centro de Ciência Viva, dotar um espaço de um restaurante junto ao rio, de um eco hotel para 49 camas e de um centro de formação em alta cozinha, tentando-se ao mesmo tempo preservar a naturalidade do rio.

A visão do autarca para este espaço de eleição foi o pretexto para uma entrevista do mediotejo.net ao líder do município de Alcanena, acompanhados pela natureza dos Olhos de Água.

VÍDEO/REPORTAGEM

Quando o nosso jornal chega ao local, o som das máquinas sobrepõe-se ao barulho corrente da água do rio. Encontra-se em curso a obra para um novo parque de estacionamento nos Olhos de Água, uma empreitada que se encontra no seu início, pelo que ainda se estava a proceder à reorganização do espaço, mudando algumas antigas oliveiras de local, o que não deixou de causar algumas preocupações a Rui Anastácio, que afirmou esperar que estas agarrassem à terra.

Foto: Rafael Ascensão/mediotejo.net

Antes desta obra, o município já procedeu à construção de um passadiço pedonal em madeira de cerca de 200 metros e que custou cerca de 113 mil euros, numa empreitada que contemplou igualmente trabalhos de estabilização da margem. Este passadiço, junto à margem direita do rio Alviela, serve assim de ligação entre a praia fluvial de Olhos de Água, que quer alcançar a Bandeira Azul, e o futuro parque de estacionamento.

Relativamente a estas duas estruturas, “estamos a falar de cerca de meio milhão de euros, numa candidatura apoiada e que no caso do parque de estacionamento mereceu a decisão de aprovação agora o mês passado, o que nos deixou também muito satisfeitos porque é importante termos aqui algum apoio e que este tipo de projetos não viva apenas do orçamento municipal”, revelou Rui Anastácio.

O recente passadiço que liga o futuro parque de estacionamento à zona balnear dos Olhos de Água. Foto: Rafael Ascensão/mediotejo.net

Na verdade, esta abordagem insere-se num âmbito mais geral. Rui Anastácio explicou ao nosso jornal que o seu executivo tem uma “estratégia global”, em que do ponto de vista territorial a abordagem é “Aire e Candeeiros”, pelo que estão a trabalhar “num documento que vai servir de base a uma candidatura e o que nós queremos é promover as serras de Aire e Candeeiros, como um produto turístico integrado de grande valor, na área do ecoturismo e do turismo de natureza”.

“Temos depois uma estratégia para o rio, que não se fecha aqui apenas nos Olhos de Água. Estamos inclusivamente em diálogo com vários proprietários de engenhos ao longo do Rio. Um deles já conseguimos até viabilizar junto da APA [Agência Portuguesa do Ambiente] e da CCDR [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro]”, revelou.

“Era um processo que estava a decorrer há três anos e que obrigou a um esforço grande da nossa parte, mas vamos ver um lagar junto à ponte da Ferreira recuperado, se tudo correr bem. E estamos em diálogo com proprietários dos outros engenhos para conseguirmos intervir e valorizar o rio e a fruição do rio, como um corredor ecológico de grande importância”, adiantou Rui Anastácio.

A nascente do Alviela é “a joia da coroa” no projeto autárquico alcanenense. Foto: Rafael Ascensão/mediotejo.net

Mas a “joia da coroa”, essa é a nascente do Alviela, onde se pretende redinamizar o seu Centro de Ciência Viva e para onde existe um projeto integrado para aquilo que era o parque de estacionamento e a zona de restauração.

“O que gostaríamos de ver aqui era um restaurante para cem pessoas junto ao rio, e um eco-design hotel para 49 camas. Estamos em diálogo com o parque e penso que ainda este ano vamos conseguir lançar um concurso público internacional, em que iremos concessionar este espaço a investidores com um currículo reconhecido. Já inclusivamente entrámos em diálogo com alguns investidores, quer na área de restauração, quer na área de hotelaria”, explica Rui Anastácio.

Praia fluvial dos Olhos de Água. Foto: Rafael Ascensão/mediotejo.net

A ideia era que esse investimento ficasse da responsabilidade da iniciativa privada, a qual depois ficaria com uma concessão durante 20 ou 30 anos, pelo que o município se encontra a estudar o caderno de encargos para poder lançar um concurso público internacional.

A idealização da autarquia é que quem explore o restaurante explore igualmente a unidade hoteleira que “nós gostaríamos de ver aqui nascer” e que tenha a si associada uma estratégia de conservação de natureza e de ecoturismo, onde uma parte da receita possa ser aplicada na conservação do espaço que é “um geossítio muito importante”, adiantou o líder do município alcanenense. 

Estas estrutura terão sempre de ficar na margem não inundável, ou seja na margem em que se encontra o parque de campismo e o Centro de Ciência Viva do Alviela.

Paralelamente, a autarquia encontra-se em diálogo com a EPAL (Empresa Portuguesa de Águas Livres) para a concretização de um projeto que “ainda está um bocadinho no segredo dos deuses mas que será, se tudo correr bem, um centro de formação em alta cozinha, que vai ligar também à valorização do próprio peixe do rio, enquanto produto gastronómico”, confidencia Rui Anastácio, afirmando que se está a trabalhar “muito seriamente” sobre isso e serão anunciadas novidades a breve trecho.

Rui Anastácio considera que nos próximos três anos “poderemos ter avanços muito sérios”. Foto: Rafael Ascensão/mediotejo.net

No que toca à praia fluvial propriamente dita, a autarquia pretende definir um masterplan para a sua total reabilitação, de forma a torná-la num espaço “verdadeiramente único – que já é – mas que penso que poderá ser muito melhorada”, considera Rui Anastácio.

Embora ainda não haja números – ainda para mais em momentos de tanta incerteza como os vividos atualmente – e o município gostasse de que se tratassem de investimentos privados – nomeadamente ao nível do alojamento e da restauração – “estamos em números grossos a falar em cerca de três milhões de euros”, aponta o eleito pelo Cidadãos Por Alcanena.

A conservação da natureza pesa também bastante na conceção deste ambicioso projeto, frisou o autarca, enquanto conversamos e passamos sobre a ponte de madeira que liga as duas margens do rio, mesmo junto à zona balnear, agora já sem banhistas, ou não já tivesse acabado o verão:

“Penso que é muito importante em tudo o que são obras junto a linhas de água que se trabalhe o mais possível – cada vez mais e isso nem sempre aconteceu aqui – com a engenharia natural. E portanto com a reabilitação do cordão ripícola, da vegetação junto ao rio – porque isto é um rio, não é uma piscina – há um conjunto de equilíbrios ecológicos e biológicos que podem e devem ser respeitados e também de regeneração e de recuperação da própria flora ripícola, de flora [como] árvores e arbustos, que devem bordear e estabilizar naturalmente as próprias margens dos rios”.

O presidente da autarquia de Alcanena considera importante respeitar os equilíbrios ecológicos e biológicos, e relembra que os Olhos de Água não são uma piscina. Foto: Rafael Ascensão/mediotejo.net

Quanto a timings, Rui Anastácio prefere ser cauteloso, mas considera que nos próximos três anos “poderemos ter avanços muito sérios”:

“Não sei se chegaremos ao fim, nunca chegamos ao fim, há sempre coisas a fazer, a melhorar, a implementar, mas os próximos três anos são decisivos para conseguirmos estabilizar esta estratégia”, perspetivou.

A cereja no topo deste bolo – leia-se estratégia – seria a obtenção do galardão da Bandeira Azul. Esta conquista, no entanto, está dependente de questões que se prendem com a qualidade da própria água da nascente, sendo que nos anos anteriores “têm havido alguns eventos com análises pontuais com má qualidade, que não garante a estabilidade da qualidade da água do rio”.

“Nós estamos a tentar perceber porque é que isso aconteceu nos últimos anos e aumentámos quer a periodicidade quer os pontos de colheita. Nós estamos neste momento a colher a água no rio, na nascente e também na ribeira de Amiais, para tentarmos perceber porque é que têm ocorrido pontualmente problemas na qualidade da água balnear, para ver se conseguimos realmente encetar um processo de atribuição de Bandeira Azul, que exige regularidade na qualidade da água”, explicou o autarca, confirmando que essa é uma meta que “está no nosso horizonte”.

Foto: Rafael Ascensão/mediotejo.net

Já no que se refere a balanços sobre a época balnear que entretanto chegou ao fim, Rui Anastácio confessa que é difícil de ter estatísticas – sendo que se pode começar a ter números aproximados no caso de se vir a ter um parque de estacionamento pago, por exemplo – mas refere que o verão correu “relativamente tranquilo”.

“Mas nós o que queremos é realmente requalificar o espaço e tornar este espaço num espaço de excelência, que atraia também uma frequência mais agradável e mais interessante e eventualmente também com mais poder de compra que possa também deixar receita não aqui só, mas em todo o concelho e em toda a região”, concluiu.

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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1 Comentário

  1. Acho bem a praia fluvial linda como é é preciso que se faça alguma coisa mesmo a nivel de eventos como concertos ao vivo também é preciso para valorizar esse espaço

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