Fundado a 31 de janeiro de 1942, o Atlético Clube Alcanenense celebrou no sábado, 18 de fevereiro, a concretização de 75 anos de atividade, com sócios, jogadores e adeptos no Pavilhão Multiusos de Alcanena. Para o presidente e treinador do clube, José Torcato, o Alcanenense é “um dos clubes mais representativos do distrito” e apesar das dificuldades que sentem todas as épocas, o lema é “trabalhar sempre”.
A festa encheu o Pavilhão Multiusos e teve direito a vários momentos de nostalgia, com homenagens aos jogadores que cumpriram de 5 a 14 épocas, e ao único sócio com 25 anos de filiação. Mas o momento mais marcante foi a subida ao palco de Joaquim Pereira Henriques, 94 anos, um dos jogadores da primeira equipa do Alcanenense, de 1942, também para uma homenagem.
Após um minuto de silêncio, em memória dos falecidos, Joaquim Pereira Henriques lembrou os primeiros tempos do clube. “Aquela camisola que ali está pendurada é um símbolo do que um senhor ofereceu a Alcanena. Saíram-lhe 40 contos na lotaria e nós usávamos uma camisola branca” que não se adequava ao desporto. “Ele então ofereceu o equipamento e ofereceu a camisola. O preto representando o trabalho e o amarelo a solidariedade”, recordou.
A noite foi ainda marcada pela entrega de um cheque à equipa pelo presidente da junta de freguesia de Alcanena e Vila Moreira, António Silva, que foi também jogador. Seguiu-se a intervenção do presidente da Associação de Futebol de Santarém, Francisco Jerónimo, que lembrou como nos últimos 75 anos o Alcanenense “marcou a sua posição no panorama distrital e nacional”. “Isto é o resultado de um trabalho que tem vindo a ser feito ao longo dos anos”, salientou, agradecendo a antigos e novos dirigentes. “É com pessoas com dinamismo e coragem que é possível manter esta atividade”, frisou, numa referência às atuais dificuldades económicas.
Já a presidente da Câmara de Alcanena, Fernanda Asseiceira, salientou ser o Alcanenense a associação desportiva mais antiga do concelho. “Sabemos que não tem sido fácil” manter a associação em atividade, referiu, elogiando o trabalho do presidente do clube, José Torcato. Sobre o Estádio Municipal, onde o Alcanenense joga, adiantou que “estão previstas obras de requalificação”, que serão feitas de “forma faseada”. Esta segunda-feira, 20 de fevereiro, será ainda aprovado um contrato programa com o clube para apoio em 2017.
Presente na ocasião esteve também o vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Rui Manhoso, que frisou a importância do futebol amador. “Vir a esta região nos 75 anos de um clube que muito tem feito pelo desporto no nosso distrito e como embaixador de Alcanena por onde tem passado, acho que é um bom prémio para todos”, referiu, elogiando também a atual direção. Adiantou assim que a Federação vai em breve apresentar o Estatuto do Dirigente Desportivo, indo ao encontro do esforço voluntário de todos os que trabalham no futebol não profissional.
José Torcato começou por lamentar o facto de a equipa não conseguir atrair mais jovens da região. Lembrou assim como em 2006 foi necessário avançar para a criação de uma direção e reerguer o clube. “Somos o melhor clube neste momento no distrito de Santarém”, frisou, que apesar das parcerias necessárias ao seu funcionamento, permanece com uma estrutura independente. “Ainda somos nós que mandamos e gostávamos de continuar assim”. No entanto, reconheceu, “estamos num patamar demasiado alto para as condições do clube. Já tocámos o céu”.
Ao mediotejo.net o responsável não escondeu as dificuldades em manter-se em atividade época após época. “Manter-se no campeonato é difícil”, admitiu, nomeadamente com as dificuldades em termos financeiros que são comuns a todos os clubes. No que toca às condições de treino e prática desportiva, José Torcato comentou apenas que por vezes faz falta um campo de apoio, quando o Estádio Municipal, de relva natural, não consegue oferecer um piso adequado.
O Atlético Clube Alcanenense possui duas equipas, uma de séniores, com 25 elementos, e outra de juniores, também com 25 jogadores. Mantém cerca de 350 sócios.
