A sessão de assinatura do protocolo que efetiva a adesão à rede, inserida no programa “Alcanena | Mobilidade + Sustentável”, decorreu no auditório dos Paços do Concelho, tendo contado com a presença do presidente da Câmara Municipal de Alcanena, Rui Anastácio, da presidente e do coordenador do Instituto de Cidades e Vilas com Mobilidade, Paula Teles e Pedro da Silva.
A adesão à rede de “Cidades e Vilas que Caminham” representa, para a autarquia alcanenense, um “compromisso” em apostar num espaço público “que seja amigo das pessoas e das crianças e um compromisso em criarmos mecanismos, nomeadamente com as escolas, de incentivo a que as crianças passem a ir a pé para a escola”, explicou o autarca.
A rede tem por objetivo “incentivar os municípios a apostar por políticas urbanas de mobilidade sustentável que reforcem as condições de caminhabilidade, incrementar a intermodalidade, aumentar a segurança da circulação pedonal e viária, melhorem a qualidade de vida urbana, enriqueçam as sociabilidades, melhorem os parâmetros de saúde pública”, e “universalizem a utilização do espaço público para todos”, entre outros.
“A partir deste momento Alcanena faz parte da rede de Cidades que Caminham”, afirmou Paula Teles. “Dizer que para nós é um gosto enorme, mas acima de tudo, uma honra. Porque nós precisamos de ter municípios e quantos mais melhor (…). Uma rede faz-se com muitos, neste momento já estamos com cerca de 40 municípios que assinaram o protocolo e temos várias adesões para entrarem”, acrescentou.
Após a assinatura oficial do protocolo pelo autarca e pela presidente do Instituto de Cidades e Vilas com Mobilidade, seguiu-se o hastear da bandeira da rede no exterior do edifício dos Paços do Concelho, na Praça 8 de maio.
O final de tarde ficou marcado por uma conversa sobre “Espaço Público Partilhado”, com a participação de Paula Teles e Pedro Ribeiro da Silva, presidente e coordenador do Instituto de Cidades e Vilas com Mobilidade, respetivamemte, e de Marlene Carvalho, vereadora da Câmara Municipal.
A sessão debateu a importância de investir no espaço público enquanto espaço de encontro entre as pessoas e de criar as condições para promover a mobilidade para todos.




Tema de debate foi ainda a deslocação dos alunos para a escola, tendo sido defendida a deslocação pedonal para as crianças que residam nas imediações dos estabelecimentos de ensino, promovendo o seu desenvolvimento, a saúde e a mobilidade sustentável.
“A ida a pé para a escola é uma decisão que nós tomámos, enquanto comunidade, de levar as crianças de carro à escola e podemos também pensar se essa decisão foi bem tomada. Nós estamos em crer e os especialistas concordam connosco que não foi”, afirmou Rui Anastácio.
Em declarações ao nosso jornal, acrescenta não ser “uma fatalidade”, defendendo que as crianças “não têm que ir de carro para a escola, podem ir a pé se viverem uma distância razoável da escola”.
“Isso é muito importante para o seu crescimento, para o seu desenvolvimento, para a sua saúde, para o sucesso escolar, porque é completamente diferente uma criança que chega à escola depois de ter feito 1 km a pé… já estabilizou, já acordou, no caminho para a escola encontrou amigos, socializou. Portanto, isso é bom para o ambiente, é bom para a saúde das crianças, bom para o sucesso escolar e no limite, é bom para todos nós”, defende.
“Hoje alguém aqui dizia que nós temos novos presos políticos e esses novos presos políticos são as crianças. Criamos escolas que muitas vezes são prisões e retirámos as crianças do espaço público, retirámos autonomia às crianças em nome de uma suposta segurança ou insegurança, que está apenas nas nossas cabeças”.
Para o futuro, o edil afirma ser necessário “reavaliar” as decisões tomadas e debater a situação “em nome da felicidade das nossas crianças e em nome do retorno ao espaço público”.
“Nós queremos, inclusivamente, avançar com um plano de mobilidade escolar que vai avaliar, de facto, toda esta problemática e propor um conjunto de iniciativas”, anunciou.
“Depois, o compromisso também é olharmos para os projetos e ainda agora temos um projeto de uma das estradas principais, ligação Alcanena – Moitas, em que temos vamos ter um percurso de mobilidade (…) É uma estrada que é muito utilizado nos caminhos de Fátima, mas a ideia é olhar para todas as intervenções que estamos a fazer no espaço público, dar-lhes coerência e perceber o que é que promove o regresso e o retorno ao espaço público que se perdeu durante muitos anos”, explicou o autarca.
No âmbito da Semana Europeia da Mobilidade, Alcanena delineou um programa para sensibilizar a população para práticas mais amigas do ambiente, onde se incluiu a formalização da adesão à “Rede de Cidades e Vilas que Caminham”.
O dia iniciou-se com uma ação de sensibilização para o uso das bicicletas elétricas partilhadas meioB – Para Andar no Médio Tejo, da Comunidade Intermunicipal. A Caminhada Noturna encerrou o programa, tendo realizado um circuito de dificuldade considerada fácil e em meio urbano, numa extensão de 5km.











