Dia de aniversário encerrou com a entrega de condecorações Foto: mediotejo.net

O concelho de Alcanena celebrou na terça-feira, 8 de maio, os seus 104 anos. O dia foi marcado por momentos simbólicos, com a sessão solene a reunir todas as forças políticas ao fim da tarde. O ambiente, as várias obras por realizar, nomeadamente a estrada Serra de Santo António – Minde, a queda demográfica, a indústria centralizada nos curtumes ou a nova gestão das águas e do saneamento pela empresa municipal EMASA foram temas que atravessaram a maioria das intervenções. A encerrar entregaram-se as medalhas de mérito municipal.

A sessão solene abriu com a intervenção do presidente da Assembleia Municipal, Silvestre Pereira, que recordou o processo histórico que conduziu à autonomia administrativa do concelho, após a implantação da República, e a afirmação do território desde o 25 de abril.

Seguiu a CDU, com intervenção de Patrícia Dinis. A autarca criticou as opções políticas que conduziram ao domínio industrial dos curtumes, sem indústria nova a querer instalar-se no concelho. Focou assim a queda demográfica do concelho, defendendo “uma estratégia de desenvolvimento e de fixação da população”.

Patrícia Dinis lembraria também a luta do Atlético Clube Alcanenense pelo Estádio Municipal e a dos funcionários municipais pela devolução remuneratória do período em que trabalharam 40 horas. A EMASA foi considerada “uma evolução”, embora não a melhor solução para a gestão de águas e saneamento.

Críticas mais fortes partiram da CDU, através de Patrícia Dinis Foto: mediotejo.net

Da parte da coligação Cidadãos por Alcanena, Luís Veiga defendeu que “precisamos de outros rumos”, lembrando que Alcanena chegou a figurar entre os melhores municípios do país, o que hoje não se verifica. Apontou assim que a Câmara não se pode comportar como entidade externa quando faz parte dos órgãos da AUSTRA – Associação de Utilizadores do Sistema de Tratamento de Águas Residuais de Alcanena e afirmar melhorias ambientais quando à noite continua a cheirar mal na vila.

O autarca lembrou também a luta do Atlético Clube Alcanenense, a requalificação da estrada Serra de Santo António Minde, a EMASA e o Museu dos Curtumes. “Conte com o nosso grupo para uma oposição construtiva”, terminou, dirigindo-se à presidência.

Luís Veiga salientou a necessidade de se procurarem novos rumos para o concelho Foto: mediotejo.net

Da parte do PS coube a palavra ao presidente de Monsanto, Samuel Frazão. O autarca começou por criticar a demagogia, defendendo que o município precisa de iniciativas dinâmicas e apelando a uma participação construtiva. Saudaria assim as contas municipais positivas, não esquecendo, porém, obras que ainda carecem de solução, como a EN 361, e constatando também a diminuição da população. Destacaria ainda a importância do trabalho em prol do ambiente e o trabalho das juntas de freguesia.

Por fim, a presidente da Câmara, Fernanda Asseiceira (PS), fez uma longa exposição em que enumerou todas as obras realizadas e a razão pela qual algumas ainda não avançaram, nomeadamente por os respetivos concursos públicos terem ficado desertos.

A terminar definiu prioridades: desenvolver o Observatório Ambiental, projeto considerado “pioneiro na região”; desenvolver o potencial turístico do concelho; e a requalificação da EN361. “Os desafios nunca param, nunca podem parar”, concluiu.

A encerrar a sessão foram atribuídas as tradicionais condecorações. António Fresco, presidente de Minde durante três mandatos consecutivos, recebeu a medalha de mérito municipal grau ouro. A mesma medalha foi recebida por duas associação com mais de meio século: o Atlético Clube Espinheirense e o Grupo Recreativo Os Unidos da Serra.

A medalha de mérito municipal grau prata foi entregue aos professores do concelho aposentados em 2017: Adélia Almeida, Ana Cristina González e Cidália Pessegueiro.

Cláudia Gameiro

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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