Ana Cláudia Cohen está na vanguarda da flexibilidade curricular. O seu livro sobre o tema esteve nos tops de vendas Foto: mediotejo.net

O Agrupamento de Escolas de Alcanena foi chamado a estar na linha da frente no apoio ao ensino durante este terceiro período atípico, em que a maioria dos jovens terá que estudar em casa devido à pandemia de covid-19. Para a nova telescola, o agrupamento vai contribuir com 32 professores e oito disciplinas, referentes aos 7º e 8º anos de escolaridade. Um novo desafio para Alcanena, que se tem distinguido a nível nacional no projeto de flexibilidade curricular.

Foi com grande entusiasmo que a diretora do Agrupamento de Escolas de Alcanena, Ana Cláudia Cohen, recebeu o telefonema do Secretário de Estado da Educação a lançar o desafio para integrar a nova telescola. “Disse logo que sim”, admitiu a responsável ao mediotejo.net, sendo que passadas poucas horas já tinha as equipas preparadas para garantir a gravação dos conteúdos para as diferentes disciplinas de 7º e 8º anos, oito no seu total (português, inglês, matemática, físico-química, ciências, história, geografia, educação física). A responsável procurou até organizar equipas mais alargadas que ao que lhe havia sido proposto, confessou, sendo que cada uma têm entre três a seis pessoas.

Este é um “desígnio maior” para o agrupamento, que, segundo Ana Cláudia Cohen, está bastante motivado e empenhado no projeto. A comparação com a antiga telescola, salientou, deve porém ser prudente, uma vez que vivemos um contexto diferente, em que os jovens estão em efetivo isolamento, alguns sem computador e internet. “É um projeto que está dirigido aos alunos que não têm conectividade”, explicou, sendo que cada aluno terá um mentor na escola de origem que fará o acompanhamento da receção de conteúdos e desenvolvimento de trabalhos.

“Isto tem que haver comunicação em rede”, afirmou. Neste aspeto, analisou, as possibilidades são imensas, como por exemplo a formação de pequenos grupos entre alunos, interagindo-se por telefone. O trabalho dos mentores pode ainda constituir uma componente social, salientou, uma vez que permite o despiste de tantas outras situações agudizadas neste momento de pandemia e isolamento social, como a solidão ou a violência doméstica.

“É possível individualizar o ensino, é possível fazer diferente”, defendeu a diretora, acreditando nas potencialidades do modelo.

Este “voto de confiança” do Governo é assim motivo de orgulho para o agrupamento de escolas, que tem entre os seus objetivos o “desenvolvimento da cidadania esclarecida” e da “responsabilidade”. “Esta responsabilidade social para nós está na nossa missão”, afirmou Ana Cláudia Cohen, referindo o quanto se tem maravilhado com o trabalho dos docentes face a esta inesperada oportunidade e o quanto estes também podem ganhar com a experiência.

Os conteúdos encontram-se a ser gravados desde 10 de abril. A nova telescola arranca dia 20, segunda-feira, na RTP Memória.

Cláudia Gameiro

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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1 Comentário

  1. A estirpe é diagnosticada logo na primeira picadela “disse logo que sim”, ou seja, quem manda é ela, qual ter que o submeter às estruturas da escola, qual quê!?… A lei sou eu. Tão vazias as competências do CP no DL 75, já por si só tão enfadonho. Nem isso.

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