Acidente com veículo de combate a incêndio da corporação de Alcanena. Foto: DR

O presidente da Câmara de Alcanena deu conta de um “acidente terrível” que destruiu por completo um carro da corporação de bombeiros locais mas que, “quase por milagre”, não originou vítimas mortais. Na reunião de executivo, um habitante de Louriceira falou de acidente rodoviário que vitimou um cidadão na estrada que liga Filhós a Louriceira, atribuindo às ervas altas nas bermas a pouca visibilidade para o condutor.

Tendo feito notar não querer atribuir culpas à Câmara Municipal ou à Junta de Freguesia, Nelson Henriques disse, no entanto, que não podia deixar de referir que “talvez o acidente pudesse ter sido evitado caso se tivesse procedido à limpeza das ervas das bermas”, as quais eram responsáveis pela “pouquíssima, muito má visibilidade naquela via pública”.

Rui Anastácio, presidente da autarquia, explicou o processo de limpeza das bermas no concelho e afirmou não gostar que o chamem de assassino, algo que dezenas ou centenas de pessoas lhe chamaram. O líder do município de Alcanena fez ainda menção a um “acidente terrível” envolvendo um veículo de combate a incêndio que caiu a rebolar por uma ribanceira, do qual não resultaram vítimas mortais.

Nélson Henriques, natural e residente em Louriceira, começou a sua intervenção dizendo que queria que ficasse “bem registado, e que não houvesse dúvidas” na interpretação das suas palavras, que não era de todo sua intenção atribuir culpas mas que “não deixaria de atribuir alguma responsabilidade” à Câmara e/ou Junta de Freguesia pela limpeza das estradas, responsáveis pela “pouquíssima, muito má visibilidade naquela via pública”.

Nélson Henriques, cidadão de Louriceira.

Referindo que, tanto quanto sabe, aquela é uma estrada de cariz rural, Nélson Henriques disse que a mesma serve de passagem a “centenas se não milhares de cidadãos anualmente”, inclusivamente a si próprio, pelo que vê as dificuldades sentidas ultimamente na visibilidade da estrada.

“E porquê? Porque as ervas têm atingido uma dimensão tal que ocupam parte da faixa de rodagem, tirando assim não só visibilidade, como obrigando os utentes a terem de sair das suas faixas de rodagem e irem pisar um pouco a faixa de rodagem contrária, com os perigos que daí advêm”, explicou.

Nélson Henriques questionou assim sobre a limpeza das bermas no concelho, afirmando que é um facto que há muitos meses que as ervas estão por cortar, referindo que no local do acidente existe agora alguma visibilidade não por as ervas terem sido cortadas, mas por terem sido pisadas pelos carros de socorro.

O residente de Louriceira afirmou ainda que “é lamentável que se tenha chegado a esta situação”, defendendo que a mesma teria sido evitável através de uma gestão por parte da Câmara que devia ir limpando as bermas por prioridades.

Em resposta, Rui Anastácio começou por dizer que Nélson Henriques disse que não vinha para atribuir responsabilidades “mas eu acho que fê-lo por várias vezes na sua intervenção e está no seu direito de o fazer”, começou o autarca por frisar.

O autarca explicou depois que a Câmara não possui nenhuma máquina operacional para efetuar a limpeza de bermas, pelo que o município, a exemplo do que já tinha acontecido noutros anos, lançou um procedimento para a contratação de uma empresa para limpar 180 quilómetros de bermas.

O procedimento começou no início do ano e, tendo em conta que “às vezes estes procedimentos públicos levam mais tempo do que nós desejamos”, a adjudicação foi feita no início de maio, disse Rui Anastácio, acrescentando que talvez devesse ter sido feito em abril, mas que, caso assim fosse, se calhar em julho as ervas já estavam outra vez altas.

Conforme explicou o autarca, o procedimento foi assim iniciado em maio e até ao dia 7 de julho foram limpos 100 dos 180 quilómetros, “nas estradas que nós entendemos serem mais prioritárias e foi esse o critério, pode-se concordar mais ou menos, pode ser afinado, certamente, mas foi o critério”, sendo que a partir do dia 7 de julho “fomos proibidos de limpar o que quer que seja e trabalhar com qualquer máquina, até ao dia de hoje”.

Rui Anastácio, presidente da Câmara Municipal de Alcanena.

“E portanto estamos à espera que nos permitam acabar a empreitada. Obviamente que lamentamos profundamente aquilo que se passou. E como deve calcular eu também não gosto muito que me chamem assassino e tive algumas dezenas, para não dizer centenas de pessoas, a chamarem-me assassino. Sim, porque quando se atribui responsabilidades ao presidente de Câmara por uma morte, está-se a chamar assassino ao presidente de Câmara”, afirmou Rui Anastácio.

Referindo que tinha fotografias da travagem e do estado em que resultou, Rui Anastácio disse ainda que a seu ver, e na sua “modesta opinião”, houve uma condução “não propriamente na mão – parece-me a mim mas não sou especialista na matéria – e penso também que haveria alguma velocidade. Mas, enfim, cada um fará os seus juízos sobre isso. Eu terei que viver melhor ou pior com a minha consciência e procuro levantar-me todos os dias e fazer aquilo que está ao meu alcance. É só neste momento o que lhe posso dizer sobre este lamentável acidente”, terminou o autarca.

Acidente com veículo de combate a incêndio

Com o avançar da reunião Rui Anastácio daria ainda conta de um “acidente terrível” que aconteceu na madrugada de terça-feira, dia 16 de agosto, em que “tivemos um veículo de combate a incêndio a rebolar pela ribanceira, desde a capela dos Filhós até lá abaixo e quase por milagre não houve vítimas mortais”, disse o presidente de Câmara.

Dentro do veículo – o qual ficou “todo destroçado” – estava apenas um operacional, sendo que outros dois bombeiros estavam fora do veículo a ajudar na manobra, tendo o veículo acabado por cair na ribanceira.

Rui Anastácio fez menção a um socorro “muito, muito competente” no local, referindo também que o bombeiro Eduardo Oliveira está aparentemente bem mas que tem agora pela frente pelo menos três meses de repouso e recuperação.

Rui Anastácio, presidente da Câmara Municipal de Alcanena, sobre o acidente que envolveu um veículo de combate a incêndio.

“Tendo em conta o aparato do acidente, foi quase um milagre que ele tivesse saído, não ileso, mas aparentemente com mazelas que serão curáveis nos próximos meses, e, portanto, endereçar aqui também as rápidas melhoras”, disse.

Os outros dois operacionais não tiveram danos físicos mas também ficaram bastante abalados, pelo que o município solicitou logo apoio psicológico, tendo inclusivamente um deles ainda se deslocado ao hospital.

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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